
O ano de 2020 iniciou com um velho problema: a criminalidade.
Nos primeiros dias do chamado ano novo foram registradas mais de 20 mortes violentas, algumas com requintes de crueldade extrema e outra envolvendo uma parente da secretaria da Fazenda estadual.
Comandante em chefe das forças de segurança, Gladson Cameli não pode fazer a política da avestruz e fingir que nada está acontecendo ou nada está vendo. A situação é grave, muito grave.
Ele é o principal responsável por tudo o que está acontecendo, por cada gota de sangue derramado.
Mas Cameli não está sozinho na culpabilidade. Ao seu lado tem alguém que se vendeu durante a eleição como um “especialista” em Segurança Pública, que traria a sensação de tranquilidade à população em poucos dias.
O nome do cúmplice na omissão do poder público atende pelo nome de Wherles Rocha.
Já durante a campanha eleitoral, talvez temendo o tamanho do “abacaxi” que iria descascar, Cameli avisou que o seu então candidato a vice-governador seria o responsável pela política de Segurança estadual.
Como é sabido, o governador não é de cumprir palavra, mas nesse caso honrou com o compromisso assumido.

Em todo o território acreano Wherles Rocha domina o sistema de segurança com a indicação dos cargos nos mais diversos escalões. Foi sua a escolha do secretário Paulo César Rocha. É ele quem domina tropa.
Mas, apesar de ser o responsável direto por uma área com um arsenal de problemas, Rocha está calado, na moita. Age como se nada tivesse a ver consigo, como se a culpa fosse única e exclusivamente do titular.
O que essas pessoas não compreenderam é que um problema dessa gravidade não terá solução com as forças divididas, sucateando e desmoralizando instituições.
Por conta de uma política rancorosa adotada a partir de janeiro de 2019, a Polícia Civil foi sucateada, perdeu o status de secretaria e, consequentemente, o protagonismo por meio de serviço de inteligência e as constantes operações, que culminavam com prisões de lideranças criminosas.
O Ministério Público, que sempre atuou em parceria com o Estado, já não tem o mesmo grau de confiança e até cumplicidade como outrora.
A Polícia Militar passou a servir como possível trampolim para futuras eleições e perdeu o foco nas suas atividades.
Para piorar, o comandante da corporação, Ulisses Araújo, foi, em mais de uma oportunidade, ao tiroteio verbal com o seu atual chefe Wherles Rocha.
Estão brincando com segurança pública, politizando uma área tão sensível.
Os mais apressados podem dizer que essa é uma herança dos governos anteriores. É uma avaliação rasa, que desconsidera os fatores nacionais e até internacionais.
É não levar em conta que as principais organizações criminosas do país nasceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, estados governados há anos pelo PSDB e o MDB.
É fechar os olhos para a interiorização do crime.
É desconsiderar os quase dois mil quilômetros de fronteiras abertas no Acre, sem que haja o olhar devido do governo federal.
Em outubro de 2017, o então governador Tião Viana sediou um encontro histórico no Acre. Vieram praticamente todos os governadores do país para debater a Segurança Pública e o tráfico de drogas nas regiões de fronteira. Foi escrita a Carta do Acre, que apontava caminhos e soluções.
O documento caiu no esquecimento.
Na época, o hoje governador Gladson Cameli fez pouco caso do encontro. O Wherles Rocha agiu do mesmo jeito. Agora, estão perdidos, desorientados.
Rocha, como foi dito anteriormente, está mudo e com os olhos verdes fingindo não ver o vermelho de tanto sangue.
Gladson Cameli senta na escadaria do Palácio Rio Branco e se jactei de dar 50 reais a um flanelinha.
Se ele soubesse que parte dos seus 50 reais pode ter sido usado para pagar o “pedágio” aos comandantes de facções….
A população acreana é pacífica, mas está com medo. E o medo é um sentimento que ofusca a necessidade de uma sociedade feliz.
