Vice-governador Wherles Rocha põe em xeque contrato firmado por governo Gladson Cameli

Vice-governador Wherles Rocha põe em xeque contrato firmado por governo Gladson Cameli

Eles estão longe de ser unidos.

As eleições municipais irão esgarçar ainda mais a relação entre o governador Gladson Cameli e o vice-governador Wherles Rocha.

Cameli virou as costas aos aliados e decidiu marchar com a prefeita Socorro Neri, ainda no PSB, na disputa em Rio Branco.

Rocha fez a opção por Minoru Kinpara, ex-presidente estadual do PT, com passagem rápida pela Rede, que hoje é PSDB.

O vice-governador foi às redes sociais para, se os órgãos de controle não estivessem tão sonolentos, para fazer uma denúncia que merece ser investigada.

Rocha coloca em xeque o contrato firmado pelo governo do Estado com a empresa Fênix, com sede em Manaus, para gerir a folha de pagamento Estado.

O questionamento foi feito porque o vice-governador recebeu um telefonema da empresa oferecendo o cartão Avancard.

Esse assunto há algum tempo vem sendo alvo de pedido de apuração do deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB).

“Não é demais relembrar que essa atitude, aparentemente simples, de ligar para os servidores públicos oferecendo serviços creditícios pode esconder interesses nada republicanos”.

Esse e muitos assuntos, se forem devidamente apurados, vai dar muito o que falar.

Não é a primeira vez que o vice-governador levanta suspeitas graves de irregularidades no governo.

Uma hora a bolha estoura.

Veja a postagem do vice-governador na íntegra;

CINCO MOTIVOS PARA FICAR DE OLHO NA AVANCARD

Hoje pela manhã recebi uma ligação inusitada. O número (011) 5852-1502 me ligou perguntando se eu estava interessado em adiantar meu salário ou ainda se estava interessado em fazer empréstimo consignado. Tudo seria normal não fosse a forma nebulosa e os questionamentos que envolvem a chegada dessa empresa ao Acre.

Não é demais relembrar que essa atitude, aparentemente simples, de ligar para os servidores públicos oferecendo serviços creditícios pode esconder interesses nada republicanos. Quero aqui enumerar situações que julgo muito estranhas.

Primeiro. Nunca dei meu numero de telefone para a empresa, se quer autorizei quem quer que seja a fornecer meus dados pessoais. Resta a dúvida, quem forneceu? Estaria a SEPLAG repassando informações pessoais dos servidores públicos para que estes sejam importunados pelas equipes de telemarketing do cartão de crédito Avancard?

Segundo. A Avancard, serviço fornecido pela empresa Fênix com sede em Manaus, chegou ao Acre criando embaraços entre o Governo do Estado e a empresa consignatária anterior, a Zetrasoft, com sede em Minas Gerais. O rompimento unilateral do contrato com a Zetrasoft foi realizado sem os esclarecimentos devidos, a Avancard assumiu a prestação do serviço através de uma contratação direta, sem abertura de processo licitatório. Por mais que existam possibilidades legais para tal ato administrativo, a ausência de licitação não demonstraria direcionamento e favorecimento à empresa manauara?

Terceiro. Muitas pessoas que precisam de novos empréstimos ou reter margem consignável para filiações ou desfiliações não estão conseguindo realizar os procedimentos. Problemas no sistema foram as grandes críticas realizadas pelos bancos, presidentes de sindicatos e associações. Pelo que se percebe somente a Avancard consegue fazer tais procedimentos já que oferece serviços via telemarketing. Estaria a Avancard precarizando o serviço para bancos, entidades sindicais e associativas para se favorecer?

Quarto. A taxa de juros adotada pela empresa de Manaus é astronômica. Enquanto bancos estão oferecendo condições de taxas com média de 1,2%, a nova consignatária chega a 5,5%. Estaria a empresa tentando tirar até a última gota de sangue do servidor público e um curto espaço de tempo?

Quinto. Outro fator importante para este debate diz respeito ao percentual de endividamento do servidor público. A Assembleia Legislativa aprovou lei estabelecendo o percentual de 35% do salário como margem consignável. Com a empresa, o servidor ganhou um “plus” que chega aos 50%, o que pode fazer com que exista um superendividamento dos servidores, uma vez que houve um aumento do percentual consignável a uma taxa exorbitante de juros.

Como se percebe, uma simples ligação pode representar muita coisa. Não podemos compreender e naturalizar o que está acontecendo, o estado não pode ser paraíso para empresas de outros estados que vem aqui e levam o nosso dinheiro e deixam prejuízos irreparáveis ao bolso dos acreanos. De minha parte, o único financiamento que tenho é o da minha casa, contratado pela Caixa Econômica Federal. Tenho ainda contas no Banco do Brasil e SICOOB-Acre, todas instituições financeiras sólidas e amplamente conhecidas pelos acreanos. Caso um dia necessite de algum financiamento, não tenham dúvida que recorreria a uma dessas que aliam taxas mais vantajosas e credibilidade. Penso que há necessitasse de adentrar ainda mais na questão e procurar os órgãos fiscalizadores e, constatado indícios de crime, irei ao MP denunciar, reforçando a palavra já dita por alguns parlamentares acreanos”.

Leonildo Rosas

Related Posts

Conselheiros do TCE elegem Ronald Polanco presidente para os próximos dois anos

Conselheiros do TCE elegem Ronald Polanco presidente para os próximos dois anos

Ao impedir posse do TCE, Luiz Fux agride à língua portuguesa e escreve “Desisão”

Ao impedir posse do TCE, Luiz Fux agride à língua portuguesa e escreve “Desisão”

República do TCE terminar em meio a intrigas, divergências e conflitos entre conselheiros e o governador

República do TCE terminar em meio a intrigas, divergências e conflitos entre conselheiros e o governador

A nebulosa história de quatro terrenos, no valor total de R$ 1 milhão, comprado por um governante caloteiro

A nebulosa história de quatro terrenos, no valor total de R$ 1 milhão, comprado por um governante caloteiro

No Comment

Deixe uma resposta

Colunistas

Encontre-nos

Endereço
Av. Paulista, 123456
São Paulo, SP, CEP: 01311-300

Horário
Segunda—sexta: 9h–17h
Sábados e domingos: 11h–15h