Está em curso na capital do Acre um processo que poderá custar muito caro à população: a reversão do sistema de abastecimento de água e esgotamento do Estado para o município.
A situação não é tão simples como vendida pelo prefeito Tião Bocalom (PP)
O processo não está seguindo os ritos normais, deixando de ouvir, por exemplo, a sociedade civil organizada.
Em maio de 2012, o então governador Tião Viana e o então prefeito Raimundo Angelim, ambos do PT, assinaram o contrato de reversão.
A assinatura do contrato foi a última etapa de uma amplas e aprofundada discussão jurídica e democrática.
Todos os passos foram acompanhados, de forma criteriosa, pelas procuradorias gerais do Estado e do Município.
A assinatura do contrato de programa foi precedida por uma audiência pública onde a sociedade civil organizada foi consultada sobre o processo de transferência do sistema de abastecimento e esgotamento para o governo.
Na época, apenas 30% da cidade era atendida regularmente com o abastecimento de água.
Após os investimentos feitos pelo governo, por meio do Departamento de Água e Saneamento do Estado (Depasa), esse percentual saltou para acima de 80%.
Produzir água é caro, demanda recursos que a prefeitura de Rio Branco dificilmente terá para manter e ampliar a rede.
Além da falta de recurso oficial, a cobrança pelo fornecimento é precária, não há como adotar medidas mais firmes contra os inadimplentes, em razão de ser uma necessidade básica e de o poder público não dispor da estrutura suficiente.
Até agora, passados oito meses de mandato, o prefeito Tião Bocalom ainda não se achou. Parece perdido.
Essa reversão pode afundar o governo Bocalom e, obviamente, levar a candidatura do senador Sérgio Petecão (PSD) ao governo junto.
