Empresa do Distrito Federal é investigada pela Polícia Federal na Operação Ptolomeu
Uma espécie de “papa tudo” em obras no primeiros anos do governo Gladson Cameli, a empresa Murano Construções saiu de cena após uma série de denúncias feitas na imprensa local, em particular por este Portal.
A Murano chegou ao Acre de forma misteriosa, por meio da adesão de uma ata pela Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), no valor de R$ 52 milhões, do Institututo Federal de Ceres (GO).
Empodeirada, a empresa foi responsável até por fazer pavimentação de rodovias, embora a ata fosse apenas para manutenção predial.
Aconteceu o que todos temiam: aconteceram denúncias aos órgão de controle, a Murano foi embora e deixou um rastro de dívidas pendentes.
Somente na recuperação da AC-40, rodovia que liga Rio Branco a Senador Guiomard, a Murano ficou devendo mais de R$ 11 milhões à empresa Santa Maria, do grupo do empresário Jarbas Soster.
A Santa Maria foi sublocada pela Murano e também forneceu material para obras do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), estacionamento da Cageagre e alguns ramais.
A dívida está sendo cobrada na Justiça.


Mas, quem pensou que a Murano tinha ido embora para sempre, se enganou.
Ela está de volta e não é para fazer obras.
Em novembro de 2021, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) firmou contrato com a Murano para o fornecimento, implantação e integração, em regime “turnkey” de solução Data Center Modular Outdoor.
A contratação se deu por meio de pregão eletrônico.



O governo do Estado, por meio da Sesacre, pagará R$ 3,4 milhões à empresa que já foi campeã em execucão de obras.
Mas há uma pedra no meio do caminho.
O pagamento para a compra e instalação do supercomputador seria com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird). Ocorre que, segundo fonte, a Sesacre deixou o dinheiro voltar. Agora, estão buscando uma solução para quitar a aquisição por meio recurso próprio.

Empresa alvo na Operação Ptolomeu
A Murano é uma das investigadas na Operação Ptolomeu, deflgrada pela Polícia Federal, em dezembro do ano passado, para apurar irregularidades no âmbito do governo do Estado, tendo o governador Gladson Cameli (Progressistas) como alvo principal.
Segundo os investigadores, a Murano, té o início do governo Gladson Cameli, não possuia nenhum histórico em realização de obras no estado do Acre, e que apartir de 2019, inicia uma impressionante escalada no que tange a execução de contratos estabelecidos com o governo do estado.
“O atípico crescimento da construtora, até então desconhecida na região, despertou atenção dos orgãos de controle e imprensa locais”, relataram os investigadores.
Dentre os atos suspeitos, segundo a Controladoria-Geral da União, a Murano teve empenhado pelo governo a quantia de R$ 144.856,17 provenientes de recursos de financiamento externo promovido pela República Federativa da Alemanha e pelo Reino Unido por meio do KfW (Banco de Desenvolvimento da Alemanha) para custeamento do Programa REM Acre Fase II.
Tais recursos deveriam ser destinados a projetos de proteção e conservação da floresta, mas foram direcionados para pagamento à Murano Construções por serviços de engenharia inerentes à manutenção predial preventiva e corretiva de bens imóveis, sem relação aparente com projetos de proteção e conservação de floresta.
