Vazou antes: Gladson Cameli disse que soube da Operação Ptolomeu com antecedência

Gladson Cameli, que vive brincando de governar, fez uma declaração séria hoje, durante  sessão solene na Assembleia Legislativa (Aleac).

Diante de dezenas de testemunhas e transmitido pela internet, o governador falou algo que pode colocar em xeque a lisura e a capacidade de a Polícia Federal (PF) guardar uma operação em sigilo.

Principal alvo da Operação Ptolomeu, deflagrada pela PF ontem, Cameli disse que sabia que seria visitado pelos policiais durante a madrugada.

“Eu soube pela Rádio Peão, declarou.

Gladson Cameli tenta passar a imagem de tranquilidade naquele que pode ser o maior escândalo de corrupção da história do Acre.

Se ele sabia, o natural seria que informasse ao seu pai, Eládio, e o seu irmão Gledson e aos seus secretários.

Operações da PF costumam vir cercadas de grande sigilo.

Se o sigilo foi quebrado, cabe à PF abrir investigação para identificar a origem do vazamento.

A PF não agiu de oficio. Deflagrou a operação com a chancela da ministra do Superior Tribunal de Justiça (STF) Nancy Andrighi.

A declaração de Cameli exige que a cúpula de PF se manifeste e que a ministra cobre investigação séria, sob pena de caminharem para a desmoralização.

 

A Operação 

Segundo a PF do Acre, um  grupo, formado por empresários e por agentes públicos ligados à gestão estadual, aparelhou a estrutura do governo para cometer crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, desviando recursos públicos e ocultando a destinação dos valores.

A CGU apurou que as empresas envolvidas têm diversos contratos com o governo acreano. Parte deles envolve convênios federais e repasses relacionados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). Não foram especificados quais contratos são considerados suspeitos.

Durante a investigação, foram identificadas diversas transações financeiras suspeitas em contas correntes, pagamentos de boletos de cartão de crédito, transações de imóveis de alto valor e aquisições de veículos de luxo por valores mais baixos do que os de mercado. Também foi verificado que o grupo frequentemente movimentava grande quantidade de dinheiro em espécie, inclusive com uso do aparato de segurança pública do estado.

Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o bloqueio de cerca de R$ 7 milhões nas contas dos investigados, além do sequestro de carros de luxo comprados com os recursos desviados do governo. Também foi determinado pelo STJ que os investigados sejam proibidos de acessar órgãos públicos e de fazer contato entre si.

O desvio pode chegar a R$ 800 milhões.

 

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