Volta e meia, figuras carimbadas da política acreana abrem a boca para falar uma grande bobagem: “Estão querendo trazer de volta a Frente Popular”.
Idiotice maior não poderia ser proferida.
Mas, usando uma palavra da moda, essa é a narrativa de pessoas que carecem de projetos de estado, mas são robustos em ódio e pensamento de extrema-direita.
A Frente Popular deixou de existir em 2018, quando foi derrotada por dois ex-membros da coligação: Gladson Cameli, eleito governador, e Sérgio Petecão, reeleito senador.
Já naquela eleição, a maioria dos partidos que formavam a aliança foram praticamente dizimados pela onda conservadora que tomou conta do país e do Acre.
Nas eleições municipais de 2020 e avalanche continuo e se intensificou no ano passado.
Os poucos que restaram com mandato, principalmente prefeitos, foram cooptamos pelos encantos de quem está no poder.
Mesmo assim, a Frente Popular se manteve coesa durante 20 anos. E fez muito bem ao Acre.
Ocorre que tudo acaba.
E a Frente Popular acabou.
Abrir a boca para falar sobre a hipóteses de uma versão 2.0 da aliança nada mais é do que mentir para a população.
Não existe condições históricas e nem políticas para fato parecido acontecer.
Agora, é possível encontrar uma nova forma de caminhar. E como o Acre necessita disso…
Mas o que não pode acontecer é se formar uma federação de interesses apenas eleitorais, sem projeto e sem renovação.
O novo, como disse o poeta Belchior, sempre vem.
Em 2018, houve uma junção de pessoas e grupos políticos que tinham um objetivo único: derrotar o PT e a Frente Popular.
Se juntaram e venceram, mas logo começaram as brigas. A ruptura não demorou para acontecer e foi cada um para o seu lado.
Estamos há quatro anos e seis meses andando na marcha-ré.
Assentado na cadeira, o governador Gladson Cameli revelou toda a faceta de não honrar com a palavra empenhada e de estar longe de ser um líder.
Sem líder, o Acre mergulhou no lamaçal de corrupção e de inércia.
Atualmente, Cameli é acusado de ser chefe de uma organização criminosa que se instalou dentro da administração estadual.
Seus ex-aliados procuram um rumo, até mesmo inventando essa história de recriação de Frente Popular.
A Frente Popular está morta e enterrada, mas é fundamental a construção de uma aliança que tenha como princípio a reconstrução do Acre, colocar o Estado novamente no prumo, banindo da administração e pernicioso verme da corrupção.
Nos vinte anos da Frente Popular no governo houve erros e acertos, mas nenhum dos três governadores foi envolvidos ou acusado de ser corrupto.
Todos, cada um no seu tempo, fizeram muito.
As principais obras no Acre foram construídas no período dos governos petistas.
Seria bom ver o Acre voltar a respirar os ares da esperança, do trabalho, da boa gestão pública.
Na atua administração, o que menos se pode falar é em honestidade. Obra é coisa que existe apenas na propaganda oficial.
Finalizo dizendo que, antes de se falar em nomes, é preciso definir um programa e um projeto de estado.
É sagrado se reconectar com os anseios da população e que surjam lideranças que saibam e queiram liderar.
O desafio está posto.
