VERDADE INCONVENIENTE – O que menos o governador deseja são novas operações de combate à corrupção até outubro

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Sempre que é confrontado com a suspeitas de ilegalidades no governo, o governador Gladson Cameli (Progressistas) usa como álibi a criação, na sua administração, da Delegacia de Combate a Crime de Corrupção (Deccor).

De certa forma, esse escudo tem servido de proteção daquele que diz não dever e, por conseguinte, não temer.

Ocorre que, na semana passada, três delegados da especializadas foram acusados de cometer atos ilegais.

Em vez de se pronunciar firme, na defesa das autoridades policiais, Cameli balbuciou algumas palavras sem nexo, mas não saiu da sua boca nada de valor.

Ele também poderia tomar medida enérgica e afastar os policiais.

Não defendeu nem atacou.

Ora, vamos aos fatos.

Gladson Cameli é uma pessoas que tem poder, mas está longe de ter autoridade pré-julgar alguém, principalmente porque também é investigado. Trata-se de uma investigação da Polícia Federal onde é acusado de chefiar uma organização criminosa que desviou R$ 828 milhões do erário.

Socrátes, o grande filósofo grego, disse que quanto mais sabia, menos sabia.

Quando olhamos tantas tramas e nuances do jogo do poder, quando pensamos saber muito, menos sabemos.

Esse parece o caso.

Durante o fim de semana, o Espinhoso conversou com muita gente, dos dois lados da moeda desse imbróglio político-policial.

É possível deduzir que as movimentações são dignas de filmes de suspense e de gangsteres. São vários atores sem que haja mocinhos e mocinhas.

Há, segundo fonte, chantagens de investigados para forçar a quem tem poder tomar medidas contra os responsáveis pelas investigações, que teriam chegado longe demais e podem atingir ainda mais pessoas com e sem mandato.

Munições existem de sobra de todos os lados. Espera-se que o tiroteio, por enquanto, seja apenas midiático, jurídico e verbal.

Um advogado das partes, por exemplo, dispõe de áudios e prints de conversa de outro causídico montando uma trama para detonar os adversários.

Órgãos responsáveis pela investigação foram acionados. Também foi feita uma representação no Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil.

Entramos na Semana Santa em meio uma briga que não tem santidade.

Sei muito sobre o caso, mas, seguindo o conselho de Socrátes, preferiu pouco saber. Afinal, tenho como princípio não procurar arenga nem com a polícia e muito menos com bandido. Ambos têm arma.

Embora procure saber pouco, tenho a certeza de que o que menos o governador Gladson Cameli deseja, até outubro, é que novas operações contra corrupção no seu governo sejam deflagradas no seu governo.

E tem muita coisa sendo investigada…

Talvez ai esteja a aplicação de Cameli pouco ligar para o desmonte da Deccor.

Vejamos os próximos capítulos, que prometem ser quentes.