Poronga – Sobre Justiça e a confiança que devemos ter nela

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­Frase: “O homem chega à maturidade quando encara a vida com a mesma seriedade que uma criança encara uma brincadeira”, Friedrich Nietzche 

Há 30 anos, eu e os colegas Antonio Stelio, Nena Mubarac e Tião Vitor, de saudosa memória, fomos processados por denunciar um concurso público realizado pelo Ministério Público Estadual, visando o ingresso na carreira de promotor.

Mesmo munidos de evidências e de documentos, caminhávamos para condenação, posto que o processo fora movido por personagem proeminente do Judiciário acreano.

Seríamos condenados, apesar de  a sindicância presidida pela saudosa procuradora de Justiça Salete Maia ter comprovado que realmente a fraude aconteceu.

Que pessoas ingressariam na carreira de promotor e promotora por vias tortas, sem a devida qualificação. 

Nós melamos a maracutaia. 

Mas não fomos condenados.

Não fomos porque o brilhante advogado Odilardo José Brito Marques, vendo o que estava acontecendo, ingressou com uma reclamação no Superior Tribunal de Justiça, que mandou cancelar os movimentos arbitrários que ocorriam por essas bandas.

Todos éramos membros do combativo jornal Página 20.

É a vida.

Há mais de 30 anos, em 1994, fui processado a primeira vez por escrever e falar aquilo que os poderosos não gostam que fale.

Desastroso como governador, Romildo Magalhães declarou que iria construir mil obras naquele ano.

Provocado pelo amigo Józimo de Sousa, eu escrevia artigos, a contragosto dos proprietários, artigos no jornal A Gazeta.

Diante da promessa de Magalhães, escrevi um texto intitulado “mil obras ou mil e uma ilusões”.

Dentre outras coisas eu escrevi: “É hora de a população dar resposta negativa aos políticos populistas e corruptos. Acabando com o reino encantado de 1001 noites de poucos, em detrimento do pesadelo eterno de muitos”.  

O jornal fez editorial na capa de retratando. 

O secretário de Comunicação rebateu dizendo que a “ que a caravana do governo  iria continuar passando e não seria um Leonildo qualquer que iria pará-la”.

As mil obras foram mil ilusões.  

Obviamente fui processado.

Dei sorte.

O advogado do governador era meu amigo de infância e fizemos um acordo.

Sou acostumado ao assédio judicial.

Ao longo dos anos muitos foram os processos movidos contra mim.

Ganhei muitos.

Perdi alguns.   

Mas sempre confiei na Justiça. 

Mesmo discordando de muitas decisões. 

Faz parte do jogo.

Há quase 24, em 2002, o jornalista Jefson Dourado conseguiu arrancar do falecido advogado Rui Duarte a declaração de que era melhor ser advogado do crime organizado do que do crime desorganizado. 

Eu eternizei a frase na capa e em matéria no jornal Página 20.

Era um tempo em que o Judiciário tentou cassar a candidatura do governador Jorge Viana à reeleição. 

Há três anos, em 2023, o deputado Roberto Duarte declarou que iria propor uma CPI para apurar a crise no transporte aéreo. 

Logo entendi que era jogo de cena e fiz criticas.

Para contextualizar, relembrei que o parlamentar tinha sido advogado da pirâmide financeira chamada Tele Free.

Essa pirâmide deixou milhares de pessoas chupando os dedos.

Foram ludibriadas.

Relembrei, também, que o parlamentar seria sobrinho do advogado que dera a declaração para milhões de brasileiros e brasileiras, haja vista que a reportagem de Jefson Dourado ganhou manchete no Jornal Nacional.

O deputado não gostou da lembrança.

Ingressou com duas ações contra mim.

Uma na vara cível e outra na criminal.

Venci na cível.

Perdi na criminal.

Recorri à Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, que manteve a decisão de primeira instância.

A Justiça, dentre outras coisas, me condenou a oito meses de detenção em regime semiaberto. 

Decisão judicial se questiona na Justiça.

Conversei com o meu advogado.

Iremos adotar todos os remédios jurídicos para reverter a situação. 

Como disse, sigo confiando na justiça. 

E nos seus remédios.

E na capacidade de interpretação dos seu integrantes.

Tenho certeza, porém, que não menti e nem ofendi.

Não tenho problema nenhum que falem sobre a minha origem.

Que falem sobre os meus pais, irmãos ou tios.

A história de cada um de nós não pode e nem deve ser apagada.  

No mais, tenho plena convicção de que o direito à livre manifestação está prevista na Constituição Federal. 

Como costumo dizer, vida que segue…