Lula é o grande vencedor da Eleição 2022

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O debate de ontem, 28/10/2022, confirmou para Bolsonaro e para os brasileiros que Lula será o eleito pelo povo.

Por Francisco O. D. Veloso*

Dedicated to Paul Gravett. Feliz aniversário, meu querido!

Amanhã será um novo dia. E isto não é apenas um trecho de música ou um clichê. É um fato.

Em 2014, Presidenta Dilma Rousseff foi eleita, deixando o amargurado Aécio Neves procurando vingança.

Havia dito em entrevistas, bem registrado na mídia nacional que, se concorresse, ganharia. Se não ganhasse, ela não governaria.

E foi o que fez Aécio: sabotou o Brasil por ter tido seu orgulho elitista e machista ferido diante da derrota, justamente para uma mulher.

O resto desta história conhecemos bem. Em 2022, olhando para trás, já tudo se explica, diria Mufasa, tio do Simba.

A ingovernabilidade veio através de algumas decisões que Rousseff tomou para tentar acalmar os ânimos do deus-mercado, mas, principalmente, nas mãos da eleição do Dep. Federal Eduardo Cunha para Presidente da Câmara.

Rousseff sofreu o impeachment. Cunha foi para a cadeia, tentou se eleger em 2022, mas seu plano de retorno não deu certo, pelo menos não desta vez.

Aécio Neves desapareceu da política no cenário nacional, age aqui e ali nos bastidores. Sua irmã ficou presa por algum tempo. Não sei no que deu o caso do aeroporto do tio – sumiu do noticiário, ou quem sabe foi mais um desses assuntos proibidos na mídia. Como se isso não fosse de interesse público.

Eleição de 2018, depois de dois anos de retirada de direitos do governo golpista de Michel Temer (sic).

A mídia jurava que agora o caminho estava livre para eleger um tucano paulista para a presidência de Pindorama. A candidatura de Jair Bolsonaro era tratada como piada, mesmo porque ele parece uma piada.

Na última hora, a mídia teve que bancar o golpe de 2016 e apoiar Jair Bolsonaro. Pensavam os comentaristas da mídia golpista que dominariam ou domariam Jair. Já sabemos que não. Ele é não somente ‘imbrochável’, mas também indominável. Na real, Jair é um homem tosco.

No dicionário, tosco significa “desenvolvido ou realizado sem cuidado ou refinamento; grosseiro, malfeito. Definido pelo excesso de indelicadeza, de grosseria; bronco. (…)”. A etimologia da palavra, segundo Rafael Bluteau, que publicou o Vocabulario Portuguez e Latino, em 1728, sugere que tosco seja derivado de toscano, que era visto com preconceito em relação ao latim. Para saber mais sobre etimologia linguística, consulte a oferta de minicursos do Laboratório de Multiletramentos (Letras-Português/CELA/UFAC).

Foi nisso o que deu o golpe de 2016. Jair foi eleito com quantidade significativa de votos.

Intelectualmente, limitadíssimo. Emocionalmente, desequilibrado. Moralmente vulgar. Existe uma boa palavra em inglês para adjetivá-lo: um underdog. Ninguém levava a piada à sério. Mas a piada acabou sobrando para todos os brasileiros, inclusive aqueles que ainda estão inebriados pelo falso-moralismo que circula livremente nas redes (nada)sociais.

Jair foi um presidente sem cuidado ou refinamento, grosseiro, excessivamente indelicado. Um presidente bronco. Contaminou o país inteiro com seu excesso de indelicadeza. Normalizou a grosseria.

Como dizem os BBBs da vida: ressignificou até os palavrões.

Instaurou no país um modo autoritário de relacionamento. Retirou das eleições, do povo brasileiro, a alegria que havia na devolução de um direito roubado pelo golpe militar de 1964.

A campanha de Jorge Viana em 1989 foi e será, para sempre, a coisa mais bonita que já vi. Ele era o underdog da eleição. O PT era um partido de hippie, no Acre. Pagávamos um valor acessível (R$ 1,00) para que pintassem o 13 nas camisetas em uma tela de design simples mas criativa, que permitia usar qualquer cor. Era uma campanha tão participativa que virou até moda. Esta cidade ficou colorida. Era minha primeira eleição. Inesquecível.

Semana passada fui a uma praça de alimentação e não avistei ninguém com um adesivo no peito. Nem eu.

Existe tensão no ar. Medo. Coloquei o adesivo no carro recentemente, com muito medo de ter o carro vandalizado ou ser incomodado no trânsito – temos notícias disso com frequência.

Amanhã, 30/10/2022, voltamos às urnas para decidir o que queremos ser daqui pro futuro.

Em 2018, um velho amigo me disse que o PT não voltaria tão cedo, só daqui uns 20 anos. Respondi que não estávamos mais em 1964 e agora a classe dominante domina o capital, mas não domina as estruturas de significação.

Amanhã, o golpe de 2016 será derrotado nas urnas. Em apenas seis anos.

Amanhã será um novo dia!

*Francisco O. D. Veloso é professor no Centro de Educação, Letras e Artes (CELA-UFAC). Possui Doutorado em Linguística Aplicada/Inglês pela UFSC. Foi professor na Universidade Politécnica de Hong Kong (Hong Kong SAR), Professor Visitante na Universidade de Modena e Reggio Emília (Modena, Itália) e professor na Universidade de Bologna (Bologna, Itália).