Vou começar com uma pergunta.
Quem acredita que, no Acre, o ex-presidente Lula tem mais votos do que o ex-governador Jorge Viana e o ex-prefeito Marcus Alexandre juntos?
Pois bem, foi isso que a última pesquisa IPEC apontou.
Lula tem 33% dos votos, enquanto a chapa Jorge e Marcus tem apenas 25%.
Não existe nada mais improvável do que um resultado desse.
Parece que os pesquisadores fizeram o levantamento em outro lugar do planeta.
No Acre não deve ter sido.
A cada eleição, as pesquisas eleitorais ganham a capacidade de juntar amor e ódio expressos em números.
Aqueles que despontam à frente comemoram e tratam o resultado como verdade absoluta.
Os que aparecem atrás, tratam de encontrar uma forma de descredenciar os resultados.
A situação no Acre é mais ou menos essa.
Tem chovido pesquisas para todos os gostos e matizes ideológicas.
Umas podem ser tratadas como sérias.
Outras nem tanto.
Não sou daqueles que tentam simplesmente jogar na lama os resultados das pesquisas.
Por isso, trato de estudar os números.
Nesta segunda-feira, a Rede Amazônica de Televisão publicou uma pesquisa realizada pelo famoso IPEC, o antigo Ibope.
Pelo o que foi apurado, o governador Gladson Cameli venceria as eleições com folga, com 54% dos votos.
Mataria a fatura no primeiro turno.
Em 2018, o governador dançarino ganhou com 53%.
Na mesma pesquisa, Lula teria 33% contra 53% de Jair Bolsonaro.
O percentual do Dançarino e muita coisa para a quantidade de adversários.
Não consigo crer que o senador Sérgio Petecão, o politico mais bem votado da história do Acre, tenha somente cinco por cento.
É um percentual que não se justifica porque não apareceu nenhum fato novo.
Fui estudar.
Pesquisar as bases da pesquisa publicada na segunda-feira para comparar com a do fim de agosto, do mesmo instituto.
Fiz isso porque as minhas críticas serviram como base para que o MDB entrasse na Justiça questionando o resultado.
Na pesquisa anterior, o IPEC disponibilizou a amostragem dos municípios pesquisados.
Naquele momento, chamou a minha atenção vários fatos.
O primeiro deles foi que a pequena Assis Brasil teve os mesmos 32 questionários de Brasileia, que tem o dobro da população.
O segundo é que Sena Madureira e Tarauacá, terceiro e quarto maiores colégios eleitorais do Acre, não foram consultados.
O terceiro é que Cruzeiro do Sul, cidade do governador, teve mais questionários do que a média populacional.
O Quarto e último ponto é que em Rio Branco foram aplicados apenas quatrocentos questionários.
Na minha opinião, houve um claro direcionamento amostral.
Por ter falado sobre a pesquisa de agosto, fui procurar as mesmas informações na atual.
Pasme!
O instituto, dessa vez, não disponibilizou os municípios pesquisados.
A mensagem que aparece é: “PESQUISA NÃO POSSUI ARQUIVO DE BAIRROS/MUNICÍPIOS”.
Estranho, não é?
É de domínio público as relações comerciais do governo do Acre com empresas de Manaus, no Amazonas.
A Rede Amazônica ganhou alguns milhões de reais transmitindo aulas online, que quase ninguém assistia.
Deu para entende?
Pesquisa é bicho estranho.
Ela influencia sim, mas não é voto na urna.
Pesquisa também gera controvérsia.
O mesmo IPEC comemorado pelos governistas acreanos é criticado pelos bolsonaristas.
São críticas tão contundentes, que o ministro das Comunicações, Fábio Faria, foi ao Twitter escrever: “TSE, anote esse números que o IPEC está dando, que no dia dois de outubro a população vai cobrar o fechamento desse instituto”.
O ministro de B0lsonaro disse que eles têm pesquisa interna que mostram outros números.
Aqui no Acre, os adversários de Gladson Cameli também têm números divergentes dos apresentados pelo IPEC.
O problema é que os números internos não são amplamente divulgados.
Acho, sinceramente, que o problema não são as pesquisas.
O cerne da questão é encontrar uma forma de combater a compra escancarada de votos por quem está no poder.
Está havendo uma piracema de nota que têm o peixe garoupa como estampa.
Pena que os órgãos responsáveis pelo combate à corrupção eleitoral estejam submersos no mar de indolência.
Agora, dizer que Lula, com todo respeito, tem mais votos no Acre do que Jorge Viana e Marcus Alexandre e carregar na manipulação.
Vida que segue.
Fui.
Um forte abraço e um cheiro do Rosas.