Nas eleições de outubro, os funcionários públicos estaduais terão a oportunidade de mostrar se ainda têm a propagada força para decidir um pleito eleitoral.
Essa oportunidade veio a partir dos acontecimentos recentes envolvendo a categoria e o governo do Estado.
Nunca é demais lembrar que, ao longo dos anos, foi vendida a história de quem ninguém vence a eleição se não contar com o apoio massivo dos chamados “barnabés”.
Essa é uma história fartamente propagada, mas nunca efetivamente comprovada.
Dizer que o funcionalismo publico do Estado não tem importância no processo eleitoral, porém, é brigar com os números. Afinal, são milhares de pais e mães de famílias, aposentados ou na ativa, que estão abrigados na máquina pública.
Mas será que realmente existe essa força toda?
A economia do Acre gira em torno da chamada “Economia do contra-cheque”, haja vista que o governo permanece sendo o maior empregador.
Funcionário público, portanto, joga um peso em toda e qualquer eleição. Isso todo governante sabe, mas há quem preferia pagar para ver.
Um desse políticos que está fazendo a aposta alta atende pelo nome de Gladson Cameli.
Governador do Acre, Cameli ignorou os protestos e as reivindicações da maioria do servidores públicos e, embora tenha prometido mais, concedeu migalhas como reajuste salarial e abonos que não dão para comprar uma cesta básica.
De forma inédita, servidores da Saúde, Educação e Segurança Pública foram para as ruas gritar e cobrar as promessas feitas por Gladson Cameli durante a campanha de 2018 e ao longo dos mais de três anos de mandato.
Os gritos não sensibilizaram ao governador e à sua equipe.
O radicalismo do governo contra os trabalhadores chegou ao ponto de o ex-secretário de Governo Alysson Bestene dizer para os dirigentes sindicais, se quisessem algo a mais, que procurassem a Justiça.
Ir à Justiça seria perda de tempo, de verba e de verbo.
Quinta-feira, envergonhados e temendo a represália nas urnas, os deputados da base aliada do governador na Assembleia Legislativa cumpriram a determinação do “chefe” e aprovaram os projetos que estão longe de contemplar os anseios dos servidores.
Há uma clima grande insatisfação.
Vários segmentos, como os médicos, permanecem em greve.
Gladson Cameli, que é acusado de ser chefe de uma organização criminosa, continua em campanha aberta para a reeleição, mesmo correndo o risco de ser atingindo por uma decisão desfavorável no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As redes sociais estão abarrotadas de publicações tachando os deputados da base aliada de traidores da Educação.
É bom os servidores lembrarem que ele cumpriram ordem de Gladson Cameli e que terão a oportunidade de mostrar a indignação, se a Justiça deixar, nas urnas.
É assim que a democracia funciona.
