Análise: Com oposição omissa e sem combater, somente o STJ pode livrar o Acre de mais quatro anos de desmando e corrupção

3–4 minutos

Em setembro do ano passado, numa patética entrevista ao jornalista Alexandre Gomes, que trabalha na empresa dos seus primos em Cruzeiro do Sul, o governador do Acre, Gladson Cameli (Progressistas), disse, sem tremer a cara, que teve Covid-19 e que, por isso, tinha esquecido de todas as promessas de campanha.

Veja o vídeo:

 

Ele não esqueceu nada.

Não fez nada ao longo dos quase quatro anos de mandato por falta de aptidão e competência para governar.

Só que o governador confia na amnésia da população que o elegeu para governar o Acre.

Está tratando de renovar as promessas feitas nas eleições de 2018 para renovar o mandato.

Segundo levantamento feito pelo Portal G1, Cameli cumpriu apenas 10 das 68 promessas feitas em campanha. É muito pouco.

Na estratégia de renovar promessas, com uma saia nas mãos, o performático governador  não dançou, mas sambou na cara das mulheres ao dizer que irá usar a vestimenta se não inaugurar a ponte sobre o Rio Acre, em Xapuri.

O misógino governante disse que a inauguração será em 2023.

Veja bem: ele transferiu para  um segundo mandato, sem saber se poderá concorrer à reeleição, uma promessa feita para o primeiro mandato.

Veja o vídeo:

 

Está confiante demais, o rapaz.

Parece que vive a euforia do já ganhou.

No mesmo evento na chamada “Princesinha do Acre”, Cameli foi protagonistas de campanha eleitoral antecipada quando disse: “Apostem alto, porque eu vou ganhar”.

O ato oficial virou ato politico, mas o Ministério Público Eleitoral parece não ter olhos para enxergar essas coisas.

Analisando com frieza, a confiança de Gladson Cameli não é toda sem justificativa.

Diante da inércia dos seus opositores, ele venceria a eleição.

A vitória seria muitos mais pela falta de opção e tomada de decisão dos opositores, do que das coisas realizadas pelo governo.

Na verdade, as maiores realização  da administração Cameli estão relacionadas aos alarmantes casos de corrupção.

O próprio vice-governador Wherles Rocha tachou a administração estadual como a mais corrupta da história.

Rocha não está errado.

Vivemos num estado em que o  governador foi acusado pela Polícia Federal como sendo o chefe de uma organização criminosa, que pode ter desviado mais de R$ 800 milhões do erário.

Como não tem coisas boas a mostrar, o governador dançarino vai renovando as promessas.

Enquanto a renovação acontece, os adversários permanecem praticamente inertes.

Aqueles adversários que se habilitaram não conseguiram decolar.

Campeão de votos nas últimas eleições que concorreu, o senador Sérgio Petecão (PSD) patina na preferência popular.

Outro pré-candidato é o deputado estadual Jenilson Leite (PSB), que também não chega aos dois dígitos.

No campo da esquerda, todos ficam esperando pela definição de para qual cargo o ex-governador Jorge Viana pretende concorrer.

Essa espera permite que o governador se consolide, vendendo mentiras como se verdades fossem.

Um candidato natural no campo da esquerda seria o ex-prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre.

Só que Marcus Alexandre perdeu a disputa para o governo em 2018 e baixou o trem de pouso. Deveria ter permanecido ativo na política, mas fez a opção de se recolher. Foi um erro.

Marcus Alexandre será candidato a deputado estadual.

É lamentável ver o PT, que governou o Acre por 20 anos, ainda viver na dependência de Jorge Viana.

Isso demonstra que não houve renovação e nem formação de novas lideranças.

Jorge Viana seria um candidato competitivo, mas demonstra está mais interessado em voltar para o Senado.

O Acre retrocedeu anos durante o governo Cameli.

Poderá retroceder ainda mais se ele for reeleito.

Pelo andar da carruagem, somente uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) poderá livrar o Acre de mais quatro anos de desgoverno e corrupção.

Olha, se eu fosse militante ativo de algum partido político, até aceitaria colocar o meu nome.

Seria engraçado um Espinhoso concorrendo contra um Dançarino.