
Por Edilson Martins
Quanto mais o presidente Bolsonaro se excede em sua incontinência verbal, mais o general Hamilton Mourão cresce, ganha robustez.
Alavancado pelas impropriedades dos filhos – a última foi o 02, o Carluxo, confessando que democracia já era – um outro já propusera o fechamento do STF- com uma tropa mixuruca de um cabo e apenas um soldado – mais cresce o bem-querer ao general.
O homem virou uma referência de sensatez, de preparo, enfim, uma luz num túnel de insegurança e escuridão.
E, no entanto, nem tudo o que reluz é ouro.
No momento, ninguém mais doce, equilibrado e fofo.
E, no entanto, já revelou ter o coronel do Exército Brilhante Ustra, como herói nacional.
O MPF atribui, a esse coronel, falecido, que chefiou a Operação Oban, em SP, o mais perverso e cruel porão de torturas e mortes da última ditadura, assassinatos e desaparecimentos de presos.
A CV catalogou 45 assassinatos que passaram pela aprovação e participação direta do coronel Ustra.
Voltando à vaca fria do general Mourão, que o capitão Bolsonaro prefere o diabo a vê-lo sentado na Cadeira presidencial, mesmo interinamente, por dois ou três dias, já revelou coisas esquisitas.
À época da Campanha não teve pejo, numa emissora de TV, em escancarar a possibilidade de um mini golpe.
Hoje o general passeia suas profundas convicções democráticas, exibe um amor desmedido pelas avenidas da democracia, reprova com voz de comando os aventureiros que não rezam pelas liberdades.
Tornou-se, enfim, o queridinho da classe média, o cavaleiro sem mácula e sem reproche, o guardião da democracia, dos bons costumes da arte de governar.
Enfim, um verdadeiro grande estadista, um Dom Pedro II renascido em pleno século 21.
O medo do capitão, vamos supor, já que os dois pensam a mesma coisa, comungam da mesma ideologia autoritária – é certamente outro.
O general, com a caneta, fará tudo isso, muito melhor que ele.
Quanto a isso, parece não haver polêmica.
