Olá, bora porongar?
Tem gente que gosta de mexer com fogo sem os devidos equipamentos de proteção individual.
Vou explicar pedagogicamente o porque.
No dia 9 deste mês, apurei que o certificado de conclusão do curso de pedagogia apresentado pela governadora em exercício Mailza Assis à Justiça Eleitoral poderia não ser verdadeiro.
Naquele dia, lembrei que, numa pesquisa rápida em sites de busca, a dona Mailza aparece como se fosse graduada pela Universidade Federal do Acre, a nossa Ufac.
Ela não estudou na Ufac.
Lembrei que nas eleições de 2014, quando concorreu à suplência ao Senado, a ocupação dela era “dona de casa”.
Na época, a dona de casa era casada com o então prefeito de Senador Guiomard James Gomes.
No registro da candidata. a sua formação aparece como ensino médio completo.
Pouco mais de quatro anos depois, ao assumir como senadora, ela disse que cursava Direito.
Pode ter cursado, mas nunca concluiu.
Oito anos depois, em 2022, a dona Mailza concorreu à vice-governadoria.
Novamente a sua formação constou como ensino médio completo.
Já não era dona de casa.
Tinha o cargo de senadora da República como ocupação.
Este ano, no comprovante de escolaridade apresentado à Justiça Eleitoral, ela apresentou um certificado de conclusão em pedagogia datado de março de 2020.
Ora, a data, por sí só, levanta suspeita.
Como é que, nas eleições de 2022, ela declarou o ensino médio completo, se, teoricamente, teria se graduado em 2020?
O certificado apresentado, sem os devidos carimbos institucionais, supostamente fora emitido por um tal Instituto de Ciências Sociais e Humanas, com sede em Valparaiso de Goiás.
Pela cronologia, certificado fora obtido pouco mais de um ano após ela ter assumido a cadeira de senadora.
Valparaiso de Goiás é próximo a Brasilia, local onde atual governadora exerceu o mandato de senadora.
São apenas 37 quilômetros.
O curso de Pedagogia não é ofertado online.
Para concluir o curso, porém, Mailza Assis teria que se deslocar diariamente para a cidade goiana.
Isso durante quatro anos.
Mas ela apresentou um certificado de 2020, pouco mais de um ano que exercia o mandato.
Eu disse que não se deve brincar com fogo.
Quando eu era menino, diziam que a gente corria o risco de mijar na cama se brincasse com fogo à noite.
Mijar eu não sei, mas tem gente que faz muita cagada.
Essa do diploma pode ser uma daquelas que exala o cheiro fétido por quilômetros.
A imprensa acreana, sempre cúmplice do mal feito, ignorou a história.
Outras pessoas seguiram investigando.
A verdade caminha para vir à tona.
Se realmente apresentou documento falso à Justiça, Mailza Assis terá que arcar com as consequências.
A legislação deixa claro que o candidato ou candidata que apresenta um diploma ou certificado escolar falso à Justiça Eleitoral para comprovar sua escolaridade ou registro pode sofrer graves sanções civis, eleitorais e criminais.
Uma dessas sanções e Cassação do registro de candidatura ou do mandato.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entende que o uso de documento falso fere a fé pública eleitoral.
Isso pode levar à cassação do registro antes da eleição, à anulação de votos ou à cassação do diploma e do mandato de quem já foi eleito.
Finalizo destacando que o STF e o TSE já consolidaram que a tentativa posterior de substituir o documento falso por outro válido não apaga o crime nem elimina a quebra da fé pública cometida no ato do registro.
Corra, dona Mailza!
Apresente logo o diploma original e verdadeiro.
Em breve trago novidades.
Fui.
Um forte abraço.
Um cheiro do Rosas.
E vida que segue.
