Isaac Piyãko critica Bittar e diz que senador usa ONGs como discurso político

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Isaac Piyãko, liderança Ashaninka e pré-candidato a deputado estadual pelo PT do Acre, criticou as falas de Márcio Bittar sobre ONGs, povos indígenas e desenvolvimento na Amazônia. Para ele, o senador insiste em um discurso antigo, que tenta responsabilizar organizações sociais e lideranças indígenas por entraves que, na prática, passam por decisões do Estado e da Justiça.

“É um senador que está no Acre há décadas, e a gente não vê o Márcio Bittar com grandes projetos sociais, sempre reclamando da mesma coisa, se contradizendo”, afirmou Isaac. Segundo ele, Bittar erra ao dizer que ONGs seriam responsáveis por proibir pontes, obras e empreendimentos na Amazônia. “Ele sabe que todas as instituições têm o direito de reivindicar seus direitos, suas necessidades. E quem julga e quem faz a sentença é a Justiça. Não são as instituições”, disse.

Isaac também afirmou que o discurso do senador tenta desqualificar a autonomia dos povos indígenas. Para a liderança Ashaninka, os povos da Amazônia não podem ser tratados como massa manipulada por terceiros. “Todas as lideranças que pertencem a diversos povos têm sua autonomia, têm sua visão. Nós não estamos falando de um povo indígena, estamos falando de vários povos, cada um com sua forma política, sua estrutura, sua visão estratégica, sua forma de crer e de se manifestar culturalmente”, afirmou.

Para Isaac, quando Bittar acusa ONGs e políticas ambientais de travarem a região, ele ignora que a defesa de direitos, a cobrança por consulta e o recurso à Justiça fazem parte da democracia. “O Bittar chega querendo dizer que os povos indígenas não têm autonomia. É bom que ele consulte cada liderança para poder falar sobre os povos indígenas”, declarou.

A crítica também alcança a contradição entre atacar a política ambiental e, ao mesmo tempo, dizer que defende saneamento, esgoto e desenvolvimento. Isaac afirma que obras e empreendimentos precisam seguir os trâmites legais, e que cabe a um senador cobrar as instituições de controle, não transformar povos indígenas e organizações sociais em inimigos políticos. “Ele, como senador, deve estudar, deve seguir os trâmites, deve cobrar as instituições de controle para as coisas acontecerem na Amazônia”, disse.

Na avaliação de Isaac, o problema de fundo é que esse tipo de discurso usa a ideia de soberania para enfraquecer a soberania real dos povos que vivem nos territórios. Ao tratar a resistência indígena como influência externa, Bittar desconsidera assembleias, associações, lideranças e decisões próprias dos povos amazônicos. “A sociedade tem que dar um basta”, afirmou Isaac, ao defender que o Acre precisa de representantes comprometidos com indígenas, extrativistas, produtores, trabalhadores, saúde e educação.