Ícone do site Portal do Rosas

Sobre refugiados ambientais e vulnerabilidade social

Por Carmela Camargo Lima Rosas*

Segundo o ativista Chico Mendes, “ecologia sem luta de classes é jardinagem”, uma vez que o grupo mais afetado pelos desastres e degradações ambientais é o marginalizado, que carece de recursos. No entanto, em uma sociedade capitalista que valoriza, acima de tudo, o consumo, sem questionar os danos causados ao planeta pela produção em massa, problemas ecológicos e sociais ficam em segundo plano.

E, apesar de serem causados, em sua maioria, pela elite com industrias que degradam o meio ambiente, quem vive nas áreas mais afetadas e acabam tendo que mudar são aqueles em vulnerabilidade social, que muitas vezes dependem da agricultura para a sobrevivência.

Nesse contexto, apesar da Organização das Nações Unidas (ONU) já ter declarado estado de emergência climática, o homem, movido pela avidez, persiste em negligenciar a luta ecológica.

Assim, a elite econômica, parcela social com recursos para tentar reverter a situação, insiste em banalizar a causa, apesar de ser a principal causa da existência de refugiados, pois não sofrem as consequências imediatas do mal causado pelo próprio meio de subsistência.

Em vista disso, o líder político Mahatma Gandhi, quando defendia que a natureza era capaz de suprir todas as necessidades do homem, menos sua ganância, criticava exatamente o prejuízo gerado pelo uso exacerbado de recursos naturais visando o capital, sem dar importância a natureza.

Ademais, países não sócio-economicamente desenvolvidos, como a África subsaariana, sofrem mais com os desastres, uma vez que nações com melhores condições econômicas têm o privilégio de tecnologias que retardam o processo de destruição, tornando possível a habitação mesmo com os problemas, fazendo com que o povo fique alheio aos horrores que acometem o globo.

Alimentando a população com o consumismo descontrolado e com uma rotina movida pelo capital, o mundo capitalista transforma situações urgentes e revoltantes em algo comum aos olhos da grande massa. A classe média, apesar de mais próxima da miséria do que da riqueza, idealiza e busca por meio de bens materiais se aproximar do topo da hierarquia, ignorando a vulnerabilidade social na base dela.

Portanto, é evidente que a elite no poder que incentiva o consumismo é a principal agravante dos problemas no meio ambiente e, consequentemente, da existência de refugiados ambientais. Além disso, também se faz responsável por tornar a população alheia aos acontecimentos, ignorando aqueles em condições de vulnerabilidade socioeconômica e desfavorecidas pela degradação do ambiente que vivem, por isso, como defendido por Chico Mendes, ecologia e luta de classes andam lado a lado.

*Carmela Camargo Lima Rosas é estudante

Sair da versão mobile