Justiça nega recurso de Cameli e processo por corrupção avança no STJ

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Rio Branco, AC – Em uma decisão unânime que reverbera pelos corredores do poder no Acre, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, na semana passada, um recurso do governador Gladson de Lima Cameli que buscava a suspensão da ação penal em que é réu. A decisão, contundente, não apenas mantém o curso do processo como também serve de alerta para o futuro político do estado.

O governador enfrenta acusações gravíssimas: peculato, lavagem de dinheiro, fraude à licitação, formação de organização criminosa e corrupção passiva e ativa. Um conjunto de crimes que, em caso de condenação, pode resultar em penas que variam de 18 a 65 anos de reclusão.

A defesa de Cameli tentou uma manobra jurídica, argumentando pela suspensão do processo até que o Supremo Tribunal Federal (STF) defina teses sobre o compartilhamento de Relatórios de Informação Financeira (RIF) pelo antigo COAF. A alegação era de que os relatórios, que atingiram pessoas não investigadas diretamente, como a ex-mulher e o filho do governador, seriam irregulares.

Contudo, a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, proferiu um voto que foi classificado nos meios jurídicos como uma verdadeira “aula”. De forma cirúrgica, a ministra rechaçou os argumentos da defesa, um a um.

“Examina-se agravo regimental interposto por Gladson de Lima Cameli, contra a decisão que […] indeferiu o pedido de suspensão do […] processo”, iniciou a ministra, destacando que a questão sobre a validade dos RIFs já havia sido expressamente analisada pela mesma Corte Especial quando do recebimento da denúncia.

A relatora ainda repreendeu a tática da defesa, afirmando que “cabe à parte, caso entenda viável, suscitar novamente o tema em sede própria, alegações finais”, e não na fase atual do processo.

Para reforçar seu ponto, a ministra Nancy Andrighi citou decisões do próprio STF. Uma delas, do ministro Alexandre de Moraes, datada de 22 de agosto de 2025, afasta interpretações que condicionem o prosseguimento das investigações à validação de relatórios do COAF, evitando “entraves indevidos à persecução penal”. A ministra mencionou também decisões recentes dos ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, que reconhecem a legitimidade do compartilhamento de informações financeiras e fiscais quando solicitado pelo Ministério Público ou pela autoridade policial.

O voto da relatora, seguido por todos os ministros da Corte Especial, foi um duro golpe para a estratégia de Cameli. A decisão, na prática, diz que a “festa acabou” para quem apostava em brechas jurídicas para paralisar as investigações.

Com a recusa do recurso, o processo agora deve seguir para o ministro revisor, João Otávio de Noronha, que, após análise, pautará a data do julgamento. A expectativa é que o Acre tenha uma definição sobre a situação jurídica de seu governador, que não pode continuar a governar sob a sombra de acusações tão graves. A população acreana aguarda, atenta, os próximos capítulos dessa novela judicial que definirá o futuro político do estado.

CORTES DO ESPINHOSO ?>
O enigma do eleitorado acreano: por que os candidatos de esquerda hesitam em se associar a Lula no Acre? Por Portal do Rosas | Rio Branco, AC As recentes pesquisas eleitorais divulgadas no Acre trouxeram dados intrigantes sobre as intenções de voto no estado, tanto para o Senado Federal quanto para a Presidência da República [00:22]. No entanto, mais do que os números brutos, o cenário traz à tona um paradoxo político: a timidez dos candidatos da oposição de esquerda em se assumirem abertamente como os nomes apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado [01:48]. A força da direita e o espaço para a oposição No cenário de primeiro e segundo turno para o Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro lidera com folga as intenções de voto no Acre, registrando até 57% no segundo turno e entre 39% e 52% no primeiro [01:11]. Do outro lado, o presidente Lula aparece com cerca de 25% a 30% da preferência dos eleitores acreanos [01:23]. Embora o eleitorado conservador represente a maioria no estado, uma fatia expressiva — perto de um terço do eleitorado — manifesta apoio direto ao atual presidente [01:38]. Trata-se de uma base sólida de votos que, teoricamente, seria um ativo valioso para qualquer campanha majoritária de oposição na região [01:48]. A estratégia do rótulo e o dilema dos candidatos De um lado do espectro político, alianças são ostentadas abertamente. O senador Márcio Bittar, que figura bem colocado nas intenções para o Senado [00:47], faz questão de se posicionar de forma contundente como o “candidato de Jair Bolsonaro” no Acre [02:18]. Em contrapartida, observa-se uma postura bem mais cautelosa entre os nomes que disputam o campo progressista ou majoritário de esquerda no estado, como Jorge Viana [00:59]. Há uma visível relutância ou timidez em colar a própria imagem à do presidente Lula na tentativa de captar votos de eleitores indecisos ou de centro [02:50]. Uma aposta arriscada? Essa hesitação levanta questionamentos no meio político local [01:48]. Ao tentar agradar a todos os lados e ocultar alianças nacionais, os candidatos correm o risco de perder a identificação direta com o eleitorado que apoia o governo federal [03:09]. Em disputas acirradas, assumir um lado com clareza e construir uma base fiel pode ser mais eficiente do que se omitir. Afinal, para o eleitorado lulista do Acre, a falta de posicionamento explícito pode soar como insegurança ou desacordo [03:55]. Resta saber se, com a aproximação das eleições, os candidatos da esquerda acreana decidirão encarar o rótulo e ir para o debate de peito aberto [03:27].
23/07/2026 Ler mais →