Por Francisco O. D. Veloso*
Estamos a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022 e tivemos, neste domingo, 16, o primeiro debate, organizado por um coletivo de empresas.
Lá estava Lula lá, de novo: verás que um filho teu não foge à luta.
Mas esse debate foi diferente. O adversário é, intelectualmente, fraquíssimo. Manco das ideias, incapaz de discutir qualquer coisa com a maturidade e seriedade que exige a ocasião. Incapaz de elaborar um raciocínio complexo, repete frases feitas e adjetivos para tentar afetar a percepção que temos de seu oponente, Lula, um homem cuja história é infinitamente superior em forma e substância.
Como de praxe, o adversário de Lula mentiu. Porém, vou me deter em apenas uma delas.
Segundo o candidato da situação, as universidades públicas ficaram dois anos fechadas por causa da pandemia. Mentira.
Para ater-me à nossa realidade imediata, vou explicar o que aconteceu na UFAC nos últimos dois anos, a partir do início da pandemia.
A UFAC interrompeu as aulas em março de 2020, como todo o mundo. Naquela época, eu ainda estava dando aula na Universidade de Bolonha e o processo foi exatamente igual. Assim foi também em Hong Kong e em todas as outras instituições com quem mantenho contato.
Ao compreender que a pandemia iria demorar, a UFAC teve que planejar, com urgência, um retorno virtual – e assim fizeram as universidades ao redor do mundo.
Tivemos que, em poucos meses, reinventar algo que tem sido feito quase do mesmo modo pelo menos desde 1088 (ano de criação da Universidade de Bolonha): ensinar de modo presencial. O ensino à distância é algo completamente diferente do que precisou ser desenvolvido e implementado rapidamente.
Decidir sobre a escolha de uma plataforma, aprender como operá-la e treinar professores e depois alunos. Criar regras e procedimentos. Planejar um novo calendário acadêmico.
Isso tudo foi feito com muito esforço, sem dinheiro para uma despesa que não existia no orçamento, enquanto também nos protegíamos contra covid e cuidávamos de familiares.
Nem vou falar sobre os muitos cortes no orçamento das universidades, a falta de infraestrutura
Com muita resiliência da comunidade acadêmica, esforço de servidores e alunos, uma Reitora que conduziu o processo com competência, conseguimos retomar as aulas virtualmente em outubro de 2020 – o trabalho administrativo fora retomado muito antes.
A UFAC não ficou fechada por dois anos. O dublê de presidente mentiu, de novo. Depois ele diz que não “é bem assim”, “foi no calor do debate” e por aí vai.
É irresponsável ir para a televisão e jogar, na lixeira, o trabalho essencial feito por profissionais altamente qualificados.
Mas quando o dublê de presidente agiu com responsabilidade, mesmo?
A UFAC sobreviveu bravamente não só à pandemia, mas a quatro anos de um governo que não compreende a importância do conhecimento científico para o desenvolvimento de uma nação e de seu povo.
Para saber mais sobre o funcionamento das universidades federais no período da pandemia visite o sítio:
*Francisco O. D. Veloso é professor no Centro de Educação, Letras e Artes (CELA-UFAC). Possui Doutorado em Linguística Aplicada/Inglês pela UFSC. Foi professor na Universidade Politécnica de Hong Kong (Hong Kong SAR), Professor Visitante na Universidade de Modena e Reggio Emília (Modena, Itália) e professor na Universidade de Bologna (Bologna, Itália).

