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OPINIÃO – A pergunta é: E o Jorge?

Quem me conhece e me acompanha nas redes sociais sabe que uma das minhas diversões é correr pelas pistas e ruas de Rio Branco.

Se para alguns é dolorido, para os que apreciam colocar os pés no asfalto, cada metro percorrido é prazeroso.

Mas não estou aqui para falar de corrida pedestre.

Vou falar de corrida eleitoral.

Iniciei o texto dessa forma porque hoje, logo cedo, quando estava terminando a minha corridinha, encontrei com o ex-deputado, ex-padre e sempre progressista Manoel Pacifico.

Pacifico tem história na luta pela redemocratização de um pais que foi obrigado a conviver 21 anos sob o jugo de uma ditadura militar.

Quem página infeliz da nossa história…

Com o aquele ar professoral que lhe peculiar, Pacifico olhou para mim e perguntou: – E o Jorge?

Eu respondi: – Meu amigo, eu não sei!

Ele perguntava sobre Jorge Viana, é óbvio.

Penso que por  sempre ter deixado as minhas convicções ideológicas  clara e ter participado dos dois mandatos de governador de Tião Viana, me posicionando firme, as pessoas acreditam que tenho proximidade com essas lideranças e participação partidária ativa.

Sinto decepcionar, mas não tenho proximidade e muito menos vida partidária. Toco a minha vida à parte e defendo somente o que acredito. Também não aceito patrulhamento, venha dele de onde vier.

Sei, portanto, o mesmo que a maioria das pessoas interessadas no desfecho de uma candidatura alternativa à que está posta sabe.

Jorge Viana foi um grande governador, que conseguiu tirar o Acre do estado de ilegalidade para voltar a dar orgulho aos acreanos.

Também foi senador da República, com mandato que ganhou destaque pela atuação firme e com compromisso com as boas causas nacionais e locais.

Por tudo o que mostrou ao longo do seu percurso como homem público,  a incógnita é saber para qual desses dois cargos ele colocará o seu nome na disputar de outubro.

Eis ai o motivo da pergunta de Manoel Pacifico e de tantos outros acreanos.

Só sei que nada sei, mas tenho a minha opinião formada.

Ele foi um bom senador? Claro que foi.

Craque joga bem em qualquer posição, principalmente quando é dedicado e gosta do que faz.

Mas eu converso com muita gente. E não ouço uma pessoa sequer dizer que tem saudade dele como parlamentar.

A saudade de Jorge Viana é de quando governou o Estado, liderando transformações profundas na administração pública e no cotidiano de quem mora no Acre.

Penso também que essa “Jorge dependência” das forças progressistas se deve muito à incapacidade de se formar lideranças ao longo de 20 anos.

Prefeito de Rio Branco eleito em duas oportunidades, Marcus Alexandre poderia ter uma candidatura majoritária natural, se tivesse permanecido ativo e vivo nos debates políticos. Ele concorreu ao governo em 2018, mas nunca abriu a boca de forma veemente contra o verdadeiro desastre que é o governo Gladson Cameli.

Sobrou Jorge Viana, o que é muito.

Ocorre que ele é Jorge, mas não é santo com cavalo e lança  capazes de enfrentar sozinho o dragão da incompetência, ineficiência, descaso e corrupção que hora assusta ao Acre.

Candidato majoritário não ganha sozinho. É fundamental que haja forças lhe empurrando para cima. E quem vai empurrar Jorge?

Os prazos vão se esgotando.

As expectativas sendo ampliadas.

Jorge Viana gosta de correr.

Corre bem mais rápido do que eu, mas não está com pressa para se decidir.

Nessa maratona está com o pace de iniciante.

E a pergunta que o Espinhoso faz é: E ai, Jorge?

 

 

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