Grupos fraudam app e inventam mudança de votos para desacreditar urnas

2–3 minutos

Carolina Marins e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

Grupos usaram acusações de fraudes nas urnas, mudança de votos no meio da apuração e ataques de hackers para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. O atraso na divulgação dos resultados no último domingo (15) também ajudou a alimentar uma série de fake news que tinham como alvo a Justiça Eleitoral.

Estimulados por discursos como o do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que colocou em xeque a lisura das eleições de 2018, usaram a lentidão no sistema como a “prova cabal” de que as urnas eletrônicas não são confiáveis e que as eleições foram fraudadas..

Ações como estas corroem a democracia, em especial quando são potencializadas por líderes políticos, afirma especialista ouvido pelo UOL.

São Paulo travada em 0,39%

Teorias da conspiração giraram em torno do atraso na divulgação dos resultados.

Mesmo grandes colégios eleitorais, como São Paulo, foram afetados. De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a causa foi uma falha no sistema responsável por totalizar os votos em Brasília.

Também diz que a demora foi apenas na divulgação dos números, sem interferir na contagem.

Ainda assim, diversas correntes nas redes sociais falaram que a apuração em São Paulo, que ficou parada por quase cinco horas em 0,39% do total, era uma prova de que o sistema tinha sido fraudado.

Mas isso não é possível por um motivo simples: os votos são registrados assim que as urnas fecham e não podem ser alterados.

Ao final da votação, cada urna imprime um boletim com 100% dos votos registrados nela. Não há como alterá-lo. Cópias deste documento são autenticadas e entregues à Justiça Eleitoral e ao MPE (Ministério Público Eleitoral). Depois, também ficam disponíveis online.

Qualquer candidato, partido ou membro da sociedade civil pode fazer uma contagem paralela e verificar a votação de uma pessoa ou partido específico. O site mostra ainda o horário de fechamento das urnas —sempre pouco depois das 17h— quando os votos são consolidados. Ou seja, durante a apuração não é possível acrescentar ou tirar votos de candidatos.

Para acabar com os boatos, o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) divulgou gráficos que mostram a estabilidade de todo o processo de apuração dos votos no estado —o que comprova que o problema foi de divulgação, e não na contagem dos votos.

Urnas não ficam conectadas a uma rede

Outro acontecimento que ajudou a aumentar as fake news foi o ataque hacker sofrido pelo sistema do TSE na manhã da eleição. A Polícia Federal concluiu que dados de 2020 do tribunal foram furtados. Isso seria mais uma fraude nas eleições.

Mas não é verdadeira. Diferentemente do sistema interno do TSE, as urnas eletrônicas não podem ser invadidas remotamente porque não estão conectadas a uma rede, funcionam como dispositivos isolados.

Para invadir uma urna, o criminoso teria de ter acesso a ela fisicamente e efetuar a fraude urna a urna. Segundo o TSE, os aparelhos não são equipados com o hardware necessário para se conectar a uma rede de internet, com ou sem fio.

“O sistema operacional Linux contido na urna é preparado pela Justiça Eleitoral de forma a não incluir nenhum mecanismo de software que permita a conexão com redes ou o acesso remoto”, explica analista do TSE Bruno Coimbra, mestre em ciência da computação.

Veja a matéria completa aqui.

CORTES DO ESPINHOSO ?>
O enigma do eleitorado acreano: por que os candidatos de esquerda hesitam em se associar a Lula no Acre? Por Portal do Rosas | Rio Branco, AC As recentes pesquisas eleitorais divulgadas no Acre trouxeram dados intrigantes sobre as intenções de voto no estado, tanto para o Senado Federal quanto para a Presidência da República [00:22]. No entanto, mais do que os números brutos, o cenário traz à tona um paradoxo político: a timidez dos candidatos da oposição de esquerda em se assumirem abertamente como os nomes apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado [01:48]. A força da direita e o espaço para a oposição No cenário de primeiro e segundo turno para o Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro lidera com folga as intenções de voto no Acre, registrando até 57% no segundo turno e entre 39% e 52% no primeiro [01:11]. Do outro lado, o presidente Lula aparece com cerca de 25% a 30% da preferência dos eleitores acreanos [01:23]. Embora o eleitorado conservador represente a maioria no estado, uma fatia expressiva — perto de um terço do eleitorado — manifesta apoio direto ao atual presidente [01:38]. Trata-se de uma base sólida de votos que, teoricamente, seria um ativo valioso para qualquer campanha majoritária de oposição na região [01:48]. A estratégia do rótulo e o dilema dos candidatos De um lado do espectro político, alianças são ostentadas abertamente. O senador Márcio Bittar, que figura bem colocado nas intenções para o Senado [00:47], faz questão de se posicionar de forma contundente como o “candidato de Jair Bolsonaro” no Acre [02:18]. Em contrapartida, observa-se uma postura bem mais cautelosa entre os nomes que disputam o campo progressista ou majoritário de esquerda no estado, como Jorge Viana [00:59]. Há uma visível relutância ou timidez em colar a própria imagem à do presidente Lula na tentativa de captar votos de eleitores indecisos ou de centro [02:50]. Uma aposta arriscada? Essa hesitação levanta questionamentos no meio político local [01:48]. Ao tentar agradar a todos os lados e ocultar alianças nacionais, os candidatos correm o risco de perder a identificação direta com o eleitorado que apoia o governo federal [03:09]. Em disputas acirradas, assumir um lado com clareza e construir uma base fiel pode ser mais eficiente do que se omitir. Afinal, para o eleitorado lulista do Acre, a falta de posicionamento explícito pode soar como insegurança ou desacordo [03:55]. Resta saber se, com a aproximação das eleições, os candidatos da esquerda acreana decidirão encarar o rótulo e ir para o debate de peito aberto [03:27].
23/07/2026 Ler mais →