O “Absurdistão” acreano: Entre o lamento de conveniência e a blindagem do poder real

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O Acre não está apenas vivendo uma crise de segurança pública; o estado mergulhou em um cenário que só pode ser descrito como um “absurdistão”. O choque causado pela morte da médica Eline Nogueira, em Brasileira, não é apenas um dado estatístico de um estado que já ostenta títulos sombrios de feminicídio. É o sintoma de uma estrutura de poder que parece mais preocupada em gerir aparências do que em exercer a autoridade necessária para proteger a vida.

A reação institucional diante da tragédia foi, para dizer o mínimo, insuficiente. Enquanto o discurso oficial da governadora Mailza Assis Cameli se limitou a notas de “lamento” e cobranças genéricas de investigação, a pergunta que ecoa nos bastidores é: onde está o pulso firme?

A análise é direta: quem governa o Acre, de fato, não parece ser a figura que ocupa a cadeira principal. Há uma percepção crescente de que Mailza Assis entregou o bastão do poder — sem votos — para seu esposo, Gladson Cameli. O “governador de fato” parece ditar o ritmo das decisões, enquanto a governadora se mantém em uma zona de conforto retórica, evitando as determinações duras que o cargo exige.

A contradição atinge seu ápice quando cruzamos a retórica de “tolerância zero” com a realidade dos processos judiciais. Gladson Cameli responde a uma ação judicial por agressão contra sua ex-esposa, a bancária Melissa Sampaio. O que chama a atenção não é apenas a gravidade das acusações — que envolvem vídeos e robustas provas em um processo de quase mil páginas — mas a estranha paralisia do Judiciário acriano.

“Estranhamente, esse processo está paralisado na justiça desde julho deste ano”, aponta a análise crítica. Para o cidadão comum, essa inércia é um sinal de alerta sobre a independência das instituições locais. Como pode uma autoridade que dorme e acorda ao lado da governadora, e que é bajulada pela imprensa oficial, ter suas ações de violência doméstica protegidas por um silêncio judicial tão conveniente?

“Ela tem que determinar. Você lembra daquele governador que falava ‘vou determinar’? A Gladys Cameli, pelo jeito, não determinou, não foi firme.”

O cenário atual é de uma governança de fachada. A governadora, que ainda enfrenta questionamentos sobre a autenticidade de seu diploma de pedagoga, parece estar mais preocupada em manter a estrutura de poder do marido do que em reformar a segurança do estado. Se o governo atual continuar a tratar tragédias como notas de rodapé e processos de violência como arquivos esquecidos, o “voo” dessa gestão será, de fato, curto.

A pergunta que fica para o povo acreano é: até quando o poder público servirá de escudo para agressores enquanto se veste de luto para as vítimas?