Por meio da “pedagoga” Mailza Assis Cameli, quero homenagear a todos os professores acreanos

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Olá, bora porongar?

Hoje é o chamado Dia do Professor e da Professora.

Quero homenagear a todos e a todos por meio dessa grande pedagoga.

Veja.

Falando sério.

Essa data ocorre num momento em que a governadora do Acre se vê obrigada a responder na Justiça Eleitoral à acusação de ter apresentado o certificado da conclusão do curso de Pedagogia falso.

Ela é favorita a renovar o mandato.

Creio que, cedo ou tarde, será cassada.

Como fui eu que investiguei, não tenho dúvidas de que o documento é falso.

Mailza Assis Cameli tentou justificar a situação de várias formas.

Não convenceu.

Apresentar documento falso é crime e gera cassação, além de outras implicações judiciais.

Depois eu retorno a esse tema.

Vou resgatar a história que as pessoas costumam esquecer.

No final da década de 1990,  passou a valer a exigência legal de que todos os professores da rede pública tivessem curso superior.

Isso foi estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sancionada em 1996.

A lei determinou inicialmente um prazo de 10 anos para que a regra fosse cumprida, fixando a data limite para 2007

Em 10 anos nenhum passo foi dado para o cumprimento da legislação legal.

Milhares de professores poderiam, inclusive, perder os seus empregos.

Aquela turma, dificilmente teria condições de prestar um vestibular e concorrer com pessoas mais jovens.

Ai, durante a gestão do petista Jorge Viana, foram implementados importantes programas de formação de professores para universalizar e qualificar o magistério no estado.

O secretário de Educação era o professor Binho Marques, que sucedeu Jorge Viana.

Uma das iniciativas foi  o Programa Especial de Formação de Professores para a Educação Básica.

Aquele programa era focado em oferecer licenciaturas específicaspara atender docentes que atuavam no segundo segmento do ensino fundamental e no ensino médio.

O programa, por meio da Pedagogia Modular, foi criado em 2001 em parceria com a Universidade Federal do Acre (UFAC).

Era voltado para a formação em nível superior (Licenciatura Plena em Pedagogia) de professores das redes municipal e estadual que atuavam na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.

Também foi criado o Programa Especial de Formação Pedagógica,  destinado a portadores de diploma de bacharelado que lecionavam nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Essas iniciativas permitiram elevar significativamente o número de matrículas e formandos na UFAC, além de promover a valorização salarial e profissional dos professores da rede pública acreana.

Os resultados vieram.

A educação do Acre deixou de ser a última do país para despontar entre as melhores.

A decadência veio nos últimos oito anos.

Alunos passará a estudar em curral.

A merenda escolar passou a ser fartura para os corruptos.

Regressamos às últimas posições.

A governadora se diz pedagoga, sem nunca ter estudado pedagogia.

Hoje veremos homenagem, post oficial e discurso bonito.

Mas, no Acre, o último ano contou uma história que não aparece nos relatórios do governo.

Comece pelo bolso.

Em 2022, o governo Gladson  de Lima Cameli reduziu a tabela da Educação de 10% para 7%.

Ja são 58 meses dessa mudança.

Em Feijó, uma escola indígena foi denunciada com teto de palha e sem piso — “pior que um paiol”.

Na zona rural de Rio Branco, o TCE encontrou a Escola Boa União sem conselho escolar e com recursos federais travados, e servidores tirando dinheiro do próprio bolso para comprar o básico.

Em Jordão, 15 estudantes ficaram sem aulas porque a Secretaria de Educação não autorizou a abertura de uma turma de ensino médio.

E tem mais.

O MPF investiga um esquema na merenda escolar, segundo a revista Veja.

Em julho, estudantes que pediam transporte público em Rio Branco foram agredidos durante o protesto.

Enquanto isso, o diploma de Pedagogia da governadora Mailza Assis Cameli é alvo de questionamentos por inconsistências nas datas de formação.

Neste 15 de outubro, o professor acreano não precisa de parabéns.

Precisa de salário recomposto, escola com piso e respeito.

Homenagem de verdade é isso.

Precisa, também, por respeito aos verdadeiros pedagogos, que a governadora apresente o seu diploma.

O que eu acho missão quase impossível.

Na hora da verdade, o confronto entre a verdade e a mentira, ela será reprovada.

Fui.

Um forte abraço.

Um cheiro do Rosas.

Vida que segue.