Provou do próprio veneno: caminhão de lixo atola em rua abandonada pela prefeitura de Rio Branco

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Há anos, os moradores da Alameda Nápoli, no bairro Jardim Europa, em Rio Branco, convivem com uma cena que já deixou de ser exceção para virar rotina.

A rua, que um dia já foi asfaltada, hoje lembra um ramal esquecido. Buracos profundos obrigam os carros a trafegarem quase parando, num exercício diário de paciência. Tudo isso a cerca de 500 metros da que será a nova sede da Câmara Municipal.

Pedidos de reparo não faltaram. Todos ignorados. O problema se torna ainda mais grave já que os buracos também transformaram ela em uma rua sem saída. O acesso que liga a Alameda Nápoli com a Alameda Noruega está bloqueado pelos buracos, tornando a rua abaixo praticamente inutilizável.

Nesta terça-feira (27), o previsível aconteceu: um caminhão de lixo, ostentando orgulhosamente em sua lateral a marca da Prefeitura de Tião Bocalom (PL), resolveu experimentar na prática aquilo que os moradores enfrentam todos os dias. Atolou. E não foi em qualquer lugar, mas bem em frente à casa de um morador, que ficou impedido de sair com o carro até que a situação fosse resolvida.

O episódio não prejudicou apenas o morador. A logística da coleta de lixo na região também foi afetada. Para completar o pacote, o caminhão permaneceu parado por mais de uma hora em frente às casas, espalhando mau cheiro e desconforto para quem já tem problemas suficientes com a falta de infraestrutura.
Quando o guincho finalmente chegou, um problema se resolveu e outro foi criado. O caminhão foi retirado, mas a cratera ficou. O tráfego, que já era ruim, tornou-se ainda pior, agora com risco real de novos atolamentos.

E como toda boa ironia gosta de um capítulo final,na semana anterior, a prefeitura apareceu na Alameda Nápoli. Não para tapar buracos, muito menos para devolver o asfalto perdido. A visita foi para algo bem mais importante, ao que parece: distribuir jornais de porta em porta, enaltecendo as obras de Bocalom. Um gesto que, para os moradores, soou como deboche.

Bocalom, que vive de prometer obras astronômicas, parece esquecer que uma das funções mais básicas de um prefeito é trazer a dignidade.