Há muitos anos, eu e o colega Regisclay Saady, bamba da fotografia, nos embrenhamos nas matas bolivianas para fazer uma reportagem que ficou marcada na minha vida.
Ficamos hospedados a 22 quilômetros do Seringal Porto Carlos, na região de Brasileia.
Para chegarmos até os nossos personagens, percorremos outros 15 quilômetros em varadouro, dentro da Bolívia.
Fomos guiados por um morador daquela localidade conhecido por Toquinho.
Cabra bom, o Toquinho.
Conhecia a região como a gente conhece as palmas das nossas mãos.
Na caminhada, o Toquinho tratou de garantir o alimento da família por vários dias:
abateu um porquinho do mato!
Com a sabedoria daqueles que têm o conhecimento da floresta, cobriu o corpo do animal com folhagem para resgatar no retorno.
Naquele período, o governo boliviano estava fazendo o que se chamou de “expulsão dos Brasileiros”, que habitavam os seringais da Bolívia.
Eram milhares de pessoas.
Além da viagem, uma coisa me chamou atenção no local aonde fizemos parada:
a limpeza e o esmero da dona da casa, cujo nome não lembro agora.
Aquilo me marcou profundamente!
Era possível pentear o cabelo ou fazer a barba nas panelas.
Tem coisas que marcam.
Aquele episódio me marcou.
No regresso, o Toquinho pegou a caça, pôs nas costa e levou para casa.
Daquela viagem, produzimos uma bela matéria publicada no jornal Página 20.
Era um tempo que dava gosto fazer reportagem.
Ouvir e contar a história ouvida e vista.
No ano passado, dessa vez a passeio, fui com a família acampar às margens do Chipamano, no lado brasileiro.
A ideia era pescar.
Não tinha peixe.
Aproveite a viagem.
Naquela casa humilde vi o espetáculo que é o cuidar da casa.
A dona Antônia, esse é o nome da mulher, prima pelo zelo.
O assoalho, em madeira, dá gosto pisar descalço.
As panelas, tal qual a que vi no seringal na Bolívia, são de um brilho sem reparo.
Relembrei essas duas situações para destacar o quanto cuidar bem das coisas, por mais simples que sejam, é fundamental.
Tive a minha mãe, um professora, pedagoga de verdade, como exemplo.
A dona Orieta chegou a Rio Branco com oito filhos, em março de 1972.
Aqui na capital, no meio das dificuldades, fez supletivo e, na primeira de copas, passou no vestibular e ingressou na Universidade Federal do Acre, no curso de Pedagogia.
Há quase quatro meses, faltando três meses para chegar aos 93 anos, nos deixou.
Os ensinamentos ficaram.
Raro é um homem que não tem uma mulher como referência.
Desde os primeiros passos são elas que nos impulsionam.
Portanto, desrespeitar ou bater em mulher é ato de covardia.
Digo isso, porque vejo a campanha da governadora em exercício, Mailza Assis, tentando lhe vitimizar, como se o fato de ser mulher fosse salvo-conduto para tudo.
Para não sofrer criticas.
Isso parece jogo.
E é.
Da minha parte, eu jamais irei lhe fazer criticas pelo fato de ser mulher.
Misoginia não é comigo!
Mas não é do meu feitio aceitar passivamente quando ela diz não ter medo de ataques e que repudia fofocas.
Da minha parte, eu seguirei criticando por ela ser uma governadora incompetente, que não consegue articular duas frases sem se perder no intervalo entre elas.
Seguirei criticando por entender que ela é a continuação do governo mais corrupto que se tem conhecimento na história do Acre.
Não é fofoca que ela terceirizou o governo e atualmente quem trata de tudo é o seu esposo, um espancador de mulher.
Se não quer se alvo de fofoca, por que não apresentou o diploma de pedagoga?
O Acre é a nossa casa.
Tem que ser bem cuidado, como são as casas que visitei em localidades tão distantes.
A nossa casa chamada Acre está esculhambada.
Precisa de limpeza nas panelas, no piso, no teto e no quintal, onde tem muitas mucuras cuidando do galinheiro.
A gente tem que refletir bem antes de tomar decisões que podem comprometer a todos nós, no presente e no futuro.
Pior do que panela suja é panela sem comida.
Repito que o Acre necessita de uma limpeza grande nos procedimentos; urge frear a corrupção e a incompetência.
Sinceramente, não dá para continuar cozinhando nas panelas sujas da propina e da bandidagem que se instalou no poder a partir de 2019.

