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O teatro do absurdo no Acre: Condenado a 25 anos, Gladson Cameli insiste em candidatura fantasma após nova surra unânime no TRE

Para quem ainda acreditava no fôlego político de Gladson Cameli, o popular “Dancinha”, a última terça-feira funcionou como um choque de realidade definitivo. O roteiro parece saído de um drama policial: logo nas primeiras horas do dia, a Polícia Federal bateu à sua porta — e não foi para um café de cortesia. A visita terminou com a apreensão de seus reluzentes carros de luxo, um símbolo ostensivo do poder que agora escorrega por seus dedos.

Mas o pior golpe estava reservado para a tarde. Por unanimidade, os juízes do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) rejeitaram os embargos de declaração impetrados pela defesa do ex-governador. A corte manteve, sem qualquer hesitação, a decisão que o declarou inelegível. Diante dos fatos, cabe a pergunta: até quando o grupo político de Cameli tentará sustentar um projeto que já nasceu morto?

Desde o dia 6 de maio deste ano, a situação jurídica de Gladson é cristalina. Ele foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a expressivos 25 anos e nove meses de reclusão. Os crimes? Peculato, lavagem de dinheiro, fraude à licitação, corrupção e organização criminosa. Sob a ótica da Lei da Ficha Limpa, sua pretensão de disputar uma vaga no Senado Federal não passa de uma peça de ficção jurídica.

“Insistir em colocar o nome nas urnas sob o manto de recursos protelatórios não é estratégia política; é um escárnio com o eleitorado acreano e uma tentativa desesperada de barganhar sobrevida institucional.”

Mesmo diante do óbvio, Cameli tentou censurar este jornalista na Justiça Eleitoral, exigindo direito de resposta por termos classificado sua postulação como “fake”. O tapetão, contudo, não altera a matemática dos fatos. O caminho até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é um corredor polonês onde as chances de reversão são estatisticamente nulas.

No pragmático jogo de xadrez do poder local, as peças já começam a se mover para isolar o ex-governador:

Suponhamos, em um exercício de pura abstração, que o eleitorado acreano decida ignorar a ficha corrida do candidato e lhe garanta a maioria dos votos nas urnas. O que acontece a seguir? Nada.

Sem condições jurídicas para ser diplomado, Gladson não assumirá a cadeira. Pela legislação eleitoral de cargos majoritários, o segundo colocado não herda a vaga. O Tribunal Superior Eleitoral será obrigado a convocar uma nova eleição suplementar para o Senado. Ou seja: o contribuinte terá de pagar duas vezes pelo capricho personalista de um político condenado.

Até quando as instituições acreanas e os partidos aliados permitirão que o debate público seja pautado pela negação da realidade jurídica? O Acre não pode se dar ao luxo de virar as costas para a moralidade administrativa e fingir que uma condenação de quase 26 anos de prisão é apenas um detalhe de percurso. Afinal, a Justiça Eleitoral serve para garantir a legitimidade do voto ou para chancelar o teatro dos condenados?

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