Eu aprendi cedo que política não aceita silêncio — onde há vazio, alguém ocupa. Por isso, quando vi Jorge Viana bater à porta do STF para questionar as emendas de Márcio Bittar, eu não vi fofoca. Vi movimento. Vi alguém entendendo que o jogo não se ganha só com discurso bonito.
Falam de bilhões como quem distribui promessa em campanha, mas eu olho em volta e não encontro transformação. Não vejo estrada resolvida, não vejo obra que mude a vida de verdade. E aí eu me pergunto: onde foi parar esse dinheiro todo? Porque número alto sem resultado concreto é só propaganda — e propaganda não enche prato nem constrói futuro.
Quando a resposta vem, ela tenta desqualificar. Dizem que foi “fuxico”, que foi exagero. Mas eu enxergo outra coisa: foi questionamento. Foi cobrar aplicação correta do dinheiro público diante de um ministro como Flávio Dino. E, sinceramente, é disso que a política precisa — menos vaidade, mais confronto com base em fatos.
Eu já não compro mais essa ideia de que parlamentar bom é o que “traz emenda”. Se for só isso, qualquer um serve. Eu quero ver voto. Quero ver posição quando o assunto é direito trabalhista, quando a pauta mexe com a vida real. Porque não adianta mandar recurso e, na hora decisiva, votar contra quem mais precisa.
A verdade é que nos acostumaram a uma política confortável demais para quem está no poder. Durante anos, vi ataques sem resposta, acusações sem prova, e uma oposição que parecia ter esquecido como se posicionar. Agora, quando alguém resolve reagir, parece até estranho.
Mas não é. É necessário.
Eu acredito que eleição não se ganha sendo apenas “bom moço”. Se ganha enfrentando, debatendo, deixando claro quem está de que lado. E, no fim das contas, tudo volta para o mesmo ponto: o povo. Porque é ele quem decide se continua acreditando em números soltos ou se começa a cobrar resultado de verdade.

