
“A crise consiste precisamente no fato de que o velho morre e novo não pode nascer: neste interregno surgem os fenômenos mórbidos mais diversos”,
Antonio Gramsci

Nosso homem-de-ferro

E o nosso pobre e podre Acre agora tem o seu homem-de-ferro E a mulher-de-ferro. Por um minuto, Gladson de Lima Cameli, o Dancinha, e Mailza Assis, a quase Cameli, trocaram o jatinho por fantasia turbinada para mostrar um Acre que só existe no mundo da fantasia.
Obras históricas
No voo rasante e ficticio pelo Acre, a dupla colocou como feita até ponte sem pé nem cabeça. Trata-se do anel viário de Epitaciolândia e Brasileia. A obra foi paralisada pela corrupção flagrada na Operação Ptolomeu.
Crime grave
O vídeo publicado em redes sociais carrega o DNA da ilegalidade. Claramente cometeram crime de promoção pessoal com dinheiro público. Atentaram contra a impessoalidade. Cabe, porém, os agentes da política e da lei adotarem as medidas cabíveis. Eu não irei acionar a ninguém.
Tony Stark
Gladson de Lima Cameli, o Dancinha, não é o Tony Stark. O fato de o marketing oficial flertar com essa imagem de “herói” só escancara o abismo entre a ficção publicitária e a realidade política. Chamar o Dancinha de “Tony Stark acreano” é perfeito como ironia.
As semelhanças
Na história da Marvel temos o playboy, o culto à imagem, o gosto pela encenação e o flerte com o álcool. Nesse ponto, o Dancinha carrega semelhanças. Falta-lhe só a parte da genialidade, do enfrentamento dos próprios erros e da responsabilidade com o dinheiro que não é dele.
Máscara retirada
No cinema e nos quadrinhos, o herói tira a máscara para prestar contas ao mundo. Na política do Acre, a máscara é o próprio vídeo oficial. E a pergunta que sobra para o eleitor não é “quem é o herói, mas “quem está pagando por esse roteiro?”
Ponto em comum
Se há um ponto em comum entre Stark e Gladson, ele está no uso da imagem: ambos são personagens moldados por narrativa, ego e espetáculo. Um na indústria do entretenimento, outro no marketing de governo.
Pintado de asfalto
Mais ridículo do que o vídeo de o governador e a vice-governadora vendidos como heróis, somente o que aconteceu nas eleições de 1990, quando o engenheiro Rubem Branquinho, que veio de Minas Gerais para tentar ser governador, asfaltou o Acre inteiro usando um pincel. Era líder nas pesquisas. Amargou uma derrota vergonhosa.

Muito estranho
Recebi de um integrante do primeiro escalão do governo a seguinte mensagem: “Léo, o Gladson parece estar dopado em todos os eventos. É que começou o tratamento contra o alcoolismo. Toma remédios fortes. Ele está muito, muito estranho”. Eu achava que ele nem bebia…
Sem dancinhas
Se ele está tomando medicação, eu não sei. Sempre estive longe do seu convívio. Agora, chama a atenção que, desde dezembro, quando a ministra do STJ Nancy Andrighi sugeriu a sua condenação a 25 anos e nove meses de cadeia, Gladson de Lima Cameli parou de dançar em público.
R$ 120 milhões
Cada deputado estadual terá à sua disposição R$ 5 milhões este ano eleitoral para jogar onde bem quiser. Em suma, o contribuinte acreano pagará R$ 120 milhões para que o parlamentar, por vias indiretas, compre o seu voto. Pobre e podre Acre…
Rolo em excesso
A gente fala muito sobre os esquemas provenientes das emendas parlamentares em nível nacional. Esquecemos, porém, de debater a aplicação dos recursos na esfera estadual e até municipal. Se houver uma investigação minuciosa, não haverá dificuldades para constatar que haverá rolo em excesso.
Cria e criador
Tião Peixão Bocalom não ser arvora concorrer ao governo graciosamente. Ele foi incentivado pelo seu aliado Marcio Bittar. Agora, com a cria faminta por poder, Bittar, o criador, está meio sem saber o que fazer.

Legenda a Bocalom
Ora, se Peixão Bocalom seguir pontuando bem nas pesquisas, ficará difícil para o PL nacional retirar a sua candidatura ao governo. A conta é obvia. E ele sabe disso…
A rima na política
Há uma frase com rima no meio político quando o assunto é o prefeito de Rio Branco. Segundo as pessoas que lhe conhecem, ‘O Peixão é o rei da enganação”. É que o homem não cumpre palavra. Quem coisa feia…
Médico na Expoacre
No último fim de semana, a Secretaria Municipal de Saúde retirou os profissionais que faziam atendimentos médicos aos desabrigados que estão no Parque de Exposição Wildy Viana.
Discurso de senadores
Estudos sobre discursos de senadores no Brasil, especialmente entre 2007-2024, indicam uma mudança no comportamento discursivo, com declínio no volume de falas após 2014 e influência de redes sociais, reduzindo o debate no Plenário.
A análise
A análise destaca o auge em 2013 (6.500 discursos) e o ponto mais baixo na pandemia em 2020, sinalizando uma “pausa tática” ou realinhamento político. Os temas focam na democracia, pacificação, economia e educação.
Falas curtas
Segundo o estudo, os discursos no Plenário do Senado estão mais curtos, menos interativos e cada vez mais voltados a um público externo, especialmente nas redes sociais.
Plenário, palanque e estúdio
Essa é a principal conclusão do estudo “Plenário, palanque, estúdio”, elaborado pelo consultor legislativo Pedro Duarte Blanco, que analisou pronunciamentos feitos entre 2007 e 2024 com o auxílio de técnicas computacionais e inteligência artificial.
Transformação profunda
Ao longo de quase duas décadas, o Plenário passou por uma transformação profunda. Se antes funcionava prioritariamente como espaço de debate entre parlamentares, hoje se aproxima cada vez mais de uma vitrine de declarações individuais, muitas delas pensadas para circulação digital.
Caráter dialógico
Para o pesquisador, “ o trabalho sugere que o Plenário perdeu caráter dialógico, convertendo-se em espaço de monólogos destinados ao público virtual, embora haja sinais de possível reversibilidade das mudanças”.

