Político de rara habilidade, o mineiro Tancredo Neves tinha uma sutil estratégia para tirar de tempo àqueles que se aproximavam para abiscoitar cargos no governo de Minas Gerais.
Quando governador daquele estado, Tancredo Neves, ao ser sondado ou pressionado por aliado que queria ser nomeado para cargo importante, soltava a seguinte frase:
- Meu filho, diga que foi convidado e não aceitou. Assim, você sai por cima.
Em nível nacional, com a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva, muita gente terá que seguir o conselho de Tancredo.
Neste espaço, porém, não vou abordar a questão nacional, pois há outros jornalistas que entendem muito melhor do que eu os meandros e bastidores de Brasília.
Vou me ater a falar sobre o Acre, onde um governo novo será instalado com o mesmo governador, Gladson Cameli.
Segundo fontes palacianas, a quem carinhosamente chamo de Pipiras, há uma movimentação intensas dos mais diversos personagens da política acreana, a fim de garantir os seus espaços.
Quem está dentro, dorme, sonha e acorda pensando em se manter.
Quem está fora, não mede esforços para abrir espaço, mesmo que, para isso, tenha que atropelar os potenciais pretendentes.
Cabe cotovelada, chute na canela, puxão de orelha e até dedo nos olhos para ser visto pelo dono da caneta.
Quem me conhece sabe que sou um do mais ácidos críticos do governo e do governador Gladson Cameli.
Não confio nele e, diversas vezes, fui processado pelo dito cujo.
Na minha opinião, o Dançarino ainda terá profundas dores de cabeça com a Justiça, em razão dos desdobramentos da Operação Ptolomeu.
Mas vejo as coisas, mesmo que de longe.
Acredito que as coisas sob os pontos de vistas político e administrativo não foram piores porque Cameli conseguiu se cercar, ainda que de poucos, de pessoas que têm compromisso com a governabilidade.
Uma dessas pessoas, na minha forma de ver, é o ex-chefe da Casa Civil Rômulo Grandidier.
Antes que venham interpretações atravessadas, destaco que nunca conversei com esse rapaz. Não tenho, portanto, o menor vínculo com a quem apelidei de “Francês”.
Não posso dizer que nunca o vi pessoalmente, pois, há muito tempo, ele foi levado ao gabinete do governador Tião Viana, pelo amigo Itamar de Sá, quando foi convidado para concorrer a prefeito de Cruzeiro do Sul pelo PSB.
O Francês recusou.
Outra vez que o vi foi pelas redes sociais, quando entregou ao ex-petista Dudé Lima um cabo de telefone celular azul. Lima é – ou era – apaixonado pelo vermelho.
Nesses quatro anos, o próprio governador Gladson Cameli sempre trouxe ao público brigas internas dentro do seu próprio governo.
Parece que se diverte com a muvuca.
Diversas intrigas antigas parecem que caminham para o próximo governo.
Segundo uma das minhas pipiras, há uma espécie de campanha contra o retorno do Francês para o governo.
Não conheço o Francês, mas conheço boa parte dos que conspiram contra o moço.
Se eu tivesse que fazer opção entre os lados, ficaria com o desconhecido, pois já demonstrou competência e lealdade ao governador.
Quando falo de lealdade, não jogo palavra ao vento.
Trabalhei sete anos e meio no governo. Vi como as coisas funcionam, mas tanto éramos leais ao nosso líder como ele era leal a todos nós.
É assim que as coisas devem funcionar.
Gladson Cameli, nesse segundo mandato, tem a boa sorte de não dever nada a nenhuma força política.
Ele ganhou de tudo e de todos sozinho.
Pode montar a sua equipe do jeito que quiser.
Mas, se ele aceitar um conselho do Espinhoso, eu vou dar: Cerque-se de quem sempre lhe foi leal.
Até agora, um desses leais atende pelo nome de Rômulo Grandidier.
Vou finaliza com outra lição de Tancredo Neves.
Segundo Tancredo, depois que um politico ganha uma eleição, seus principais adversários deixam de ser oposicionista e passam a ser seus aliados.
O risco é quando os aliados se tornam adversários.
