Sempre que ouço algo que não me agrada, eu costumo responder com a seguinte frase:
– É melhor ouvi isso do que ser surdo.
Assito e ouço programas eleitorais.
Num desses programas, o governador Gladson Cameli disse que o Acre não evoluiu nos vinte anos que o PT governou o Estado.
Outros candidatos seguem na mesma toada.
Na mesma hora eu pensei:
– É melhor ouvi isso do que ser surdo.
Não vou me ater muito nos quatros anos de atraso vividos no governo Cameli.
Mas posso afirmar que Gladson trouxe para a administração pública a nefasta corrupção.
Antes que venham me processar, aviso que a acusação feita ao governador partiu da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, ratificada por onze ministros do Superior Tribunal de Justiça.
Ninguém é chamado de regente e chefe de organização criminosa à toa.
Deve haver muitas provas.
Esse processo ainda terá desdobramentos graves.
Gladson Cameli, minha gente, não construiu um galinheiro sequer.
Fala que construiu dois hospitais durante a pandemia, mas um deles está sob investigação por superfaturamento.
Na verdade, nada novo foi construído do zero.
Ele fez dois puxadinhos em hospitais construídos pelos governos petistas.
Um puxadinho no Into, construído por Tião Viana.
Outro puxadinho no Hospital Regional do Juruá, construído por Jorge Viana.
Sem nada para mostrar, até hoje ele se protege atrás da pandemia, para justificar o que não fez.
Não trouxe uma gota de vacina.
O Acre, na condição de Estado, tem sessenta anos.
Soa risível quando dizem que houve retrocesso durante os governos petistas.
O discurso desses críticos leva a crer que o Acre vivia tempos de prosperidade, que foram os governos do PT que trouxeram o atraso.
Não era assim.
O acreano tinha vergonha de dizer que era do Acre.
Quem é mais antigo deve lembrar a seboseira em que vivíamos.
Não tínhamos praticamente nada que se assemelhasse à civilidade e à cidadania.
Para se fazer justiça, o governo de Flaviano Melo, no fim da década de 1980, ainda construiu casas e se preocupou com o esgoto e saneamento básico.
Mas o que dizer dos outros?
O Gladson Cameli, que critica os mandatos petistas, teve um tio governador.
Esse tio foi sucedido por Jorge Viana.
Jorge Viana herdou um Acre à beira da ilegalidade, com as instituições falidas e desmoralizadas.
O Palácio Rio Branco, que foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal no atual governo, estava jogado às traças.
Gladson Cameli reclama de ter sido obrigado a pagar metade do décimo terceiro salário da metade dos servidores públicos.
Jorge Viana herdou o governo do tio do atual governador.
Os servidores estavam com quatro meses de salário atrasado e mais o décimo terceiro.
Jorge Viana nunca reclamou.
Trabalhou e pagou.
Se o Acre, como dizem os adversários, retrocedeu nos vinte anos petistas, podemos dizer que nos anos anteriores não existia.
Tem muita gente que ainda diz que o Acre não existe…
Encerro fazendo dois desafios.
Feche os olhos e imagine o Acre sem trinta por cento do que Jorge Viana e os demais governadores do PT fizeram.
Imaginou?
Feche os mesmos olhinhos e tente achar um galinheiro construído por Gladson Cameli.
O cara não tem obra para mostrar.
A diferença é grande.
Ei, antes de que venham me criticar, vou logo dizendo:
– Eu tenho lado na história e conheço bem o Acre de ontem e hoje.
Também tenho preocupação com o futuro.
O Acre merece voltar a ser mais bem cuidado…
Atualmente vivemos um verdadeiro escracho de um governador cheio de pabulagem.
Vida que segue.
Fui.
Um forte abraço e um cheiro do Rosas, o Espinhoso.

