Marcos Afonso, um plantador de sonhos e lutador das boas causas

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Conheci o Marcos Afonso no fim da década de 1980 na luta do movimento estudantil na Universidade Federal do Acre (Ufac).

Ele era o líder da Viração, movimento estudantil nascido no PC do B.

Havia sonhos, luta pela democracia, debates acalorados,  efervescência de uma juventude que clamava por liberdade.

A ditadura militar implantada no país em 1964 ainda assustava, tolhia manifestações contra um regime de força.

Marcos Afonso era uma voz que ecoava sentimentos reprimidos pela força de uma página cruel da nossa história.

As palavras saiam pela boca, mas brotavam da alma, do coração.

Havia disputa no campo das ideias, mas  o respeito permeava as relações. A luta pela democracia unia os divergentes.

Aquela geração saiu da universidade para contribuir com a sociedade.

Orador eloquente, Marcos Afonso concorreu a deputado federal. Mesmo obtendo votação expressiva, não obteve sucesso.

Em 1992, foi eleito vereador. Disputou a prefeitura de Rio Branco em 1996 e perdeu para Mauri Sérgio.

Dois anos depois, foi um dos campeões de voto na disputa para deputado federal.

Ele não quis disputar a reeleição. Nunca mais concorreu a nenhum mandato. Optou pela filosofia.

Marcos Afonso era um plantador de sonhos.

Esse plantador de sonhos deixou o plano terrestre hoje, um dia depois do Dia da Democracia.

Lutou bravamente contra um câncer, sem recuar e sem temer.

Ninguém quer morrer, mesmo sabendo que a morte é a única certeza da vida.

A gente começa a conviver com a indesejada desde o nascimento. A cada dia vivido ela chega mais próximo da gente.

Mas há pessoas que não morrem porque deixam um legado que dificilmente será esquecido. O professor Marcos Afonso está nesse seleto grupo de mentes iluminadas, que transcendem a normalidade.

Bertold Brecht escreveu: “Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”.

O Marcos era imprescindível.

Nos deixou num momento em que a luta pela democracia e pelos direitos fundamentais permanece viva, em um país que exala ódio por parte de um grupo que não sabe conviver com o contraditório.

Os bons sempre vão primeiro.

Morrer aos 60 anos é cedo para quem ainda tinha tanto a contribuir. Que siga na luz.

Finalizo com uma frase sempre proferida pelo militante das boas causas: Hasta la victoria siempre!

Galeria de imagens cedida pelo jornalista Manoel Façanha, a quem chamo de a “Memória” do jornalismo acreano.