TV ESPINHOSA – Ao dizer que topa concorrer ao governo, Jorge Viana tocou fogo no parquinho da sucessão

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No fim de semana quase cansei de ouvir a mesma pergunta.

“E ai, o homem vai mesmo concorrer ao governo?”

O homem em questão é o ex-governador e ex-senador Jorge Viana, que colocou fogo no parquinho faltando três meses para as eleições.

A todos eu respondi que não tenho essa proximidade para responder pelo petista.

Eu respondi por mim e disse:

“Se fosse eu, concorreria”.

Só que não sou Jorge Viana.

Não tenho os voto e muito menos a inteligência dele.

Mas assisti as duas entrevistas que ele concedeu na semana passada.

A princípio pensei: ele pirou de vez.

Com as entrevistas na cabeça, fui correr para tentar entender.

Quem corre sabe o quanto a gente pensa a cada passada.

No terceiro quilômetros, já suado, cheguei à conclusão que ele tem experiência demais para pirar.

Virar o cabeção.

Sair falando coisas sem pensar bem.

No quarto quilômetros, lembrei que aconteceram vários movimentos.

Um deles foi uma reunião tensa do PT com o PSB.

Percebi que, embora tenha dito que topa concorrer ao governo, em momento algum ele fechou as portas para aliança.

Jorge Viana quis dizer que o PT tem nomes para entrar no jogo e tentar levar a disputa ao segundo turno.

Em outras palavras, disse que não ficará no canto do ringue se defendendo.

Essa foi a principal mensagem.

Ele sabe que time que não disputa título não ganha torcedor.

Pode parecer simples, mas os petistas sempre tiveram candidato ao governo desde a redemocratização.

Isso vem de um tempo em que cabiam no fusca do Nilson Mourão.

Que o escort do empresário João Batista Badate era o meio de transporte chique para recepcionar Luiz Inácio Lula da Silva.

Abrir mão disso custa caro para qualquer agremiação política.

Vejamos o caso do MDB.

Desde 2002 que os mdebistas não lançam candidato ao governo.

São 20 anos e agora têm a pré-candidatura da deputada federal Mara Rocha.

Não é possível ver o cenário sem desconsiderar que PT tem nomes para enfrentar Gladson Cameli.

Tanto Jorge Viana quanto Marcus Alexandre têm potencial eleitoral para levar o pleito ao segundo turno.

Só que é aconselhável tentar unir as forças progressistas.

Para que haja a união, é imperioso dialogar à exaustão.

Com as entrevistas, Jorge Viana mostrou que há muito a ser jogado.

Deixou claro que prefere a aliança com o PSB de Jenilson Leite, mas não descarta ele mesmo disputar o governo.

Colocou, também, o nome de Marcus Alexandre na roda.

Sou daqueles que acreditam na possibilidade de Jenilson Leite levar as eleições para o segundo turno.

Mas compartilho com a ideia de que tanto Jorge Viana quanto Marcus Alexandre teriam menos dificuldade na empreitada.

Um amigo perguntou se não seria jogo de cena de Jorge Viana.

Eu respondi: o Jorge não encena.

Ele joga o jogo da política, o que é normal.

Ele foi muita coisa na política.

Perdeu e ganhou.

Conhece o jogo e os jogadores.

E estará bem posicionado num eventual governo do presidente Lula.

É claro que, com mandato, é bem melhor.

Jorge Viana, assim como eu, gosta de correr.

Com os pés no asfalto, ele acelera, corre rápido.

Na política está indo devagar.

Bem no sapatinho.

E, às vezes, na sapatada.

Fui…

Vida que segue.

Um forte abraço e um cheiro do Rosas.