Sou freqüentador assíduo das redes sociais.
Faço isso por dever de ofício, pois entendo que é impossível ser jornalista sem estudar e acompanhar o que acontece nesse mundo novo das comunicações.
Zappeando pelas diversas páginas, duas imagens chamaram muito a minha atenção.
Na primeira aparece uma mãe, com um lindo filho no colo, comemorando os dez meses de vida da criança.
Na segunda está o governador do Acre, Gladson Cameli, a bordo de uma aeronave, possivelmente na primeira classe, com o seu filho Guilherme.
A mãe que carregava o belo bebê é a vice-presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Joelma Dantas.
Joelma Dantas, a mãe que festejou os 10 meses do pequeno Théo, era esse o nome da criança, não terá a oportunidade de comemorar o primeiro ano de vida do seu filho.
O pequeno Théo, segundo relatos da sua mãe, apresentou sintomas de resfriado no domingo. Na segunda-feira foi levado ao pronto-socorro e foi medicado com cortidóide e melhorou. No início da noite, foi entubado, teve sete paradas cardiorrespiratória e, infelizmente, faleceu.
É de arrepiar os relatos de Joelma Dantas.
Ela publicou no seu perfil no Facebook as mensagens que mandou para a secretária de Estado de Saúde, Paula Mariano, e a outras pessoas próximas ao governador.
Todas as pessoas procuradas pela mãe disseram que iriam ajudar.
Todas prometeram adotar as devidas providências.
Nenhuma fez nada
A linda crianças, olhos vivos e sorriso angelical, morreu.
Foi preciso a morte de um lindo menino para o governo vir a público reconhecer que outras crianças morreram por síndrome respiratória aguda.
Paula Mariano, que é cardiologista, se portou como alguém que não tem o coração exigido para um momento desses de muita dor das famílias.
A secretária disse: “Nós temos monitorado os casos que chegam em nossas unidades e a maioria está associada ao Vírus Sincicial Respiratório. Não se trata de um vírus novo, mas voltou circular com maior agressividade”.
Ora, o que as pessoas menos precisam nesse momento de dor é de palavras técnicas. É preciso de carinho, atenção e medidas concretas.
Outras crianças morreram e não se viu um pio do chefe do Executivo acreano, que se encontra passeando no Alpes Suíços.
É impossível não se comover com os relatos e a dor de uma mãe como Joelma Dantas.
Gladson Cameli, que tem um lindo filho, não pode ficar alheio à situação. Tem que, esteja onde estiver, determinar que algo seja feito para evitar que outros Théos venham a deixar os seus pais com a dor da perda de um filho.
Sou pai.
Não consigo imaginar a perda de um dos meus filhos, tanto os de sangue quanto os que o coração acolheu.
Acho todos devemos nos colocar na posição de Joelma.
O que aconteceu com ela pode vir a acontecer com outras pessoas.
Penso também que Gladson Cameli não pode apenas ficar pensando em viajar, em dançar e brincar de governar.
Crianças estão morrendo por omissão do Estado. Isso é crime, que merece ser apurado pelo sonolento Ministério Público Estadual.
Governador, por amor ao seu filho, comece a cuidar dos filhos dos mais humildes.
