Qualquer pessoas minimamente bem informada fica na dúvida quando vê e olha Gladson Cameli (Progressistas) verbalizando algumas coisas.
Sempre paira a seguinte pergunta: ele diz certas coisas por ignorância ou por que gosta de mentir mesmo?
No áudio acima, para justificar a assinatura do decreto que reduz em 66,67% a base de cálculo do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal de Comunicação (ICMS) sobre a saída de gado, em particular de bezerros, do Acre, o governador fez uma declaração estapafúrdia.
Disse que deverá adotar essa medida porque tem o compromisso com os mais pobres, que poderão comer um “filezinho”.
“Eu preciso que a população de baixa renda possa comer uma carne, um filezinho. Não só comer osso, mas comer o filé. Todo mundo tem que comer, não estou com demagogia”, declarou.
Ele disse não está, mas fica claro que o calendário eleitoral e demagogia ditam as regras de conduta do governador do Acre.
Se realmente for assinado o decreto, o pobre não comerá filé e terá dificuldades para comer osso ou pescoço, haja vista que a maioria da carne produzida no Acre será exportada por preços mais atrativos para outros estados brasileiros. Essa é a regra natural do mercado.
Um dos argumentos dos defensores da redução é que a medida irá favorecer aos pequenos produtores. É outra conversa para boi dormir.
Realmente, a maioria dos produtores acreanos é composta por pequenos produtores. Mas, ao longo da história, essas pessoas vendem os seus rebanhos para os grandes.
A história da redução não nasceu dentro do governador graciosamente.
No último dia 7 de abril foi assinado um convênio entre os estados, com a anuência do Conselho Nacional de Políticas Fazendária (Confaz), que autoriza a redução do ICMS para as transações cujo estados sejam Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.
O benefício fiscal tem previsão de cessar no último mês subsequente àquele em que o total de saídas beneficiadas pelo convênio ultrapasse a quantidade de 500 mil cabeças de gado bovino por unidade federada de origem.
Pela regras atuais, o ICMS pago transações dos bezerros é de 12%, mas poderá chegar a apenas 4%.
A regra é clara. Quando o governo abre para a venda no mercado externo, a oferta no mercado interno reduz e, consequentemente, o preço da carne aumenta, pondo por terra a história propagada por Gladson Cameli de que pobre vai comer filé.
Os frigoríficos acreanos, terão que pagar mais caro, sendo obrigados a repassar os preços aos consumidores. Também poderão demitir, aumentando a massa de desempregados nos Acre.
Hoje, o preço do bezerro gira em torno de R$ 2 mil . Com os 12% de imposto, R$ 240 vão para os cofres estaduais. Com a redução do ICMS, o estado arrecadará apenas R$ 80 por cabeça.
É uma perda de receita drástica.
O Acre é um Estado pobre, abrir mão de receita sempre é um risco. A previsão é que o erário deixe de receber R$ 100 milhões para beneficiar aos pecuaristas ensandecidos por mais lucros.
Quem vai pagar a conta, governador?
Os chamados grandes nunca irão desmamar das tetas governamentais?
O povo caminha para não comer nem carne de pescoço. Restará morder os dedos…

