Acostumada a voar pelos prédios onde o poder, onde as coisas são decididas na surdina, a minha amiga Pipira Azul traz informações que o Espinhoso aqui só acredita porque ela, realmente, ouve e vê as coisas de perto.
Mas várias noticias soam como aberração, como excrescência.
Revelam um modus operandi sujo, que transformam o jogo do poder em pelada de várzea de baixo nível técnico.
Está longe de ser segredo que tanto em nível nacional quanto na esfera federal os ditos líderes perderam o pudor.
Semana passada, a imprensa nacional trouxe ao palco a história do agora ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, que transformou a sua pasta num espaço de negociatas para pastores, amigos do presidente da República, Jair Bolsonaro, trocarem verbas públicas por barras de ouro.
Com o perdão do trocadilho: esses pastores deixaram de orar para “ourar”.
Façamos a viagem de voltar aos voos da pipirinha azul.
Bem aninhada e discreta, a pequena ave ouviu uma história estarrecedora, envolvendo a formação de uma determinada chapa majoritária.
Estão falando em coisas de milhões.
Gastar dinheiro em campanha não é novidade.
Os candidatos fingem que não gastam, enquanto a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral fingem que não veem.
De vez em quando, um gato pingado é flagrado e, depois de um longo processo, quase sempre escapa.
A Pipira, por exemplo, ouviu que o grupo que domina o reino estaria fazendo um caixa mensal de R$ 3 milhões para derramar dinheiro em todo o Acre.
Tanto recurso vem passando pelo propinoduto construído pelos engenheiros da corrupção. Se quem deve combater isso, se quiser, tem como por freio na ilegalidade.
Pasme, porém com a novidade dessa turma: a vaga na formação da chapa majoritária esta valendo milhões.
Para ocupar o posto de candidato a vice-governador, por exemplo, o postulante terá que desembolsar a nada modéstia quantia de R$ 5 milhões.
Isso mesmo: R$ 5 milhões.
A vaga teria sido oferecida a um evangélico deputado federal.
Imaginemos o quanto está custando uma vaga para disputar o Senado.
Pelo jeito, vai chover dinheiro na terra de Galvez.

