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PIPIRA AZUL – Governo Gladson Cameli se prepara para fazer licitação na Saúde com indícios de direcionamento no edital

Não faz muito tempo, a minha Pipira Azul mandou eu ficar atento no contrato do governo do Estado com a empresa Medtrauma.

Importada de forma misteriosa do Mato Grosso, a empresa assinou contrato de R$ 13,3  milhões para realizar serviços de ortopedia.

Detalhe: a contratação ocorreu por meio de dispensa de licitação.

Essa transação deixou fraturas com outra empresa: o Instituto de Neurocirurgia e Neurologia da Amazônia (INAO), que era detentor do contrato.

No início do ano, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Walmir Ribeiro pediu explicações à secretária de Estado de Saúde, Paula Mariana. Veja aqui.

Supõe-se que as explicações foram dadas e recomendações feitas.

Voltando à Pipira Azul.

Segundo a pequena ave, o saldo do contrato milionário da Medtrauma teria acabado em tempo recorde.

Disse que a Secretaria de Saúde estaria se “organizando” para pagar os procedimentos realizados sem cobertura contratual.

Se isso aconteceu, é algo muito grave.

E a Pipira não costuma inventar história.

Ela voa e vê tudo antes de falar.

Como dito, a Pipira não inventa.

Vamos voar.

Nessas coincidências que não são coincidências, o governo Gladson Cameli trouxe ao Diário Oficial de hoje aviso de licitação, na modalidade de pregão eletrônico, para a contratação de empresa especializada na prestação de serviço de assistência complementar à saúde na área de traumatologia/ortopedia para atender casos de urgência e emergência.

Mas quem disse que tudo acontece para favorecer à ampla concorrência?

A pegadinha está no ítem 12.3.4 do edital, no tocante à qualificação técnica, que exige da proposta mais bem classificada , em diligência, que apresente cópia autenticada do contrato da prestação do serviço ou da nota fiscal que deram origem ao serviço.

Esse quesito é muito suspeito, carrega digitais de que pretende favorecer a alguém.

Só que há uma pedra no meio do caminho.

Essa pedra se chama acordão do Tribunal de Contas da União (TCU), que reza o seguinte: “É ilegal a exigência de que atestados de capacidade técnica estejam acompanhados de cópias de notas fiscais ou contratos que os lastreiem, uma vez que a relação de documentos de habilitação constante dos artigos 27 a 31 da Lei 8.666/1993 é taxativa”.

Há um frase creditada a um parente do governador que ensinava: “Para fazer o errado é preciso saber fazer o certo”.

Essa turma não sabe fazer nada.

O pregão deverá ser alvo de reclamação judicial e os mais humildes podem sofrer as consequências.

Esquemas como esses devem ser quebrados na origem.

Valeu por mais essa, pipirinha querida!

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