A fonte é quente e fidedigna.
Antes do Natal, o governador Gladson Cameli resolveu tornar sem efeito a nomeação de João Paulo Setti do cargo de procurador-geral do Estado.
A forma de exonerar causou desconforto.
Setti exigiu que no decreto de exoneração constasse o termo “a pedido”, para não manchar a trajetória do procurador na administração estadual.
Amigos do agora ex-procurador-geral dizem que ele pretendia entregar o cargo agora, no fim do ano.
Mas a exoneração não deixa de causar estranheza.
João Paulo Setti foi motivo de mais um round do ringue político montado em praça pública pelo governador e o seu vice Wherles Rocha.
Rocha, sob o pretexto de que Setti teria participação em uma chamada Máfia dos Precatórios, o exonerou quando esteve no exercício da governadoria.
Gladson tratou de retornar de uma improdutiva viagem à Europa para devolver o cargo ao seu assessor.
Mas o que teria mudado desde então?
O governador não iria dar razão ao seu desafeto.
O motivo foi outro.
Setti foi nomeado com a chancela do quase ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Érick Venâncio.
Venâncio ficou na terceira posição nas eleições da OAB, realizada em novembro. Perdeu para Rodrigo Aiache e para os votos brancos e nulo.
Venâncio credita boa parte da derrota à denúncia formulada pelo assessor do governador Edmar Monteriro sobre os precatórios.
Segundo a fonte, quando a Operação Ptolomeu foi deflagrada e bateu na porta da família Cameli, o governador foi ao telefone pedir socorro a Venâncio.
Teria ouvido a seguinte resposta, de acordo com a fonte: – Procure o seu assessor Edmar Monteiro.
Para piorar, Gladson não teria recebido um telefonema de João Paulo Setti.
O escritório de Venâncio é um dos mais respeitados e procurados no Estado. Teria atuado, inclusive, na defesa do cunhado do governador, o presidente da Assembleia Legislativa, Nicolau Júnior.
Ressaca dar muita dor de cabeça.

