TV Espinhosa: tecnicamente correto, projeto que prevê socorro as empresas de ônibus deve ser derrotado por falta de habilidade política

Está em discussão na Câmara de Vereadores um projeto apresentado pela prefeitura, que pode impactar diretamente nas vidas de milhares de usuários do transporte público na capital.

Falo do projeto que autoriza à prefeitura oferecer subvenção econômica às empresas concessionárias do serviço de transporte coletivo urbano.
O aporte seria próximo a três milhões de reais.
Essa subsvenção, segundo o projeto, serviria como medida de reequilíbrio econômico dos contratos de concessão vigentes, em razão dos prejuízos causados durante o período da pandemia da Covid-19.
Para poder falar, eu li o projeto com muita atenção.

Posso dizer que há preocupação de interesse público e, tecnicamente, está perfeito.

O problema é politico.
A pressa, aquela inimiga da perfeição, impediu a construção politica melhor.

Sem construção politica, as chances de a prefeita Socorro Neri ser derrotada são grandes.

Não há clima no parlamento para aprovação essa que é encarada pelo parlamentares como bonificação natalina, embora não seja.

Não é segredo para ninguém que a prefeita está sem liderança e sem base suficiente para aprovar matéria.

Os vereadores que perderam, guardam sentimentos nada agradáveis em relação à prefeita.

Os poucos que foram reeleitos, apostam no caos.

A falta de habilidade politica da prefeita e dos seu articuladores pode trazer sérios problemas aos usuários.

Antes de qualquer julgamento precipitado, é bom destacar que Socorro Neri demonstra compromisso ao apresentar o projeto.

Como foi derrotada nas urnas e está nos últimos dias no cargo, ela poderia lavar as mãos e deixar uma bomba explodir no colo do seu sucessor.

Por isso, em vez de ficar falando bobagens sobre uma suposta caixa preta no sistema de transporte público, o prefeito eleito, Tião Bocalom, deveria estar estudando a situação.

Deveria orientar aos vereadores de sua base que olhe o projeto com a devida atenção.
A fatura será cobrada.

Conversei com a diretora da RBTrans, Sawana Carvalho.
Como eu disse antes, tecnicamente o projeto não tem reparo.
A derrota, se vir, será por falha politica.

Vamos entender como as coisas funcionam.

Diferentemente do que a maioria pensa, o sistema de transporte público é financiado exclusivamente pela tarifa paga pelos usuários.

Isso significa que o dinheiro que os usuários pagam é que sustenta o pagamento de trabalhadores, do óleo diesel, da manutenção dos veículos, entre outras coisas.

Por causa da pandemia, os meses de março a junho de 2020 tiveram uma queda de cerca de 85% na demanda de passageiros, fazendo com que essa receita caísse na mesma proporção, causando prejuízo acumulado ao longo do período.

Para se ter uma ideia, em outubro do ano passado, foram transportados setecentos e quarenta e um mil, novecentos e quatro estudantes.
Em outubro deste ano, o número caiu para doze mil, seiscentos e setenta e sete estudantes.

Não há como as empresas não sentirem.

Ainda segundo estudo técnico da RBTRans, por causa dessa queda na demanda, a frota na cidade foi reduzida.

Esse assunto claramente foi postergado em razão da disputa eleitoral.

Mesmo sendo necessário, o tema não foi tratado para não ser interpretado de outra forma.

Afinal, a explicação para o aporte é injetar recursos no sistema pra compensar a ausência do volume normal de passageiros, permitindo mais veículos nas ruas, independente da demanda.

Com mais ônibus nas ruas, também se melhora o intervalo entre eles, bem como diminui a lotação, melhorando não só o conforto, como também a segurança dos usuários, pois estarão viajando com menos aglomeração e menos risco de contaminação pela Covid-19.

O que estou dizendo consta no projeto.

O aporte, segundo justificativa da prefeitura, também serve pra custar o salário dos trabalhadores, uma vez que só são amparados pelo governo federal aqueles que estão afastados.

Para quem está em serviço, a empresa arca com 100% da remuneração.

Sendo assim, os trabalhadores já atuantes terão quitadas as suas folhas, e outros colaboradores retornarão ao sistema para a operação aumentada.

O Sistema deverá rodar com um mínimo de 114 ônibus, independente da demanda de passageiros, mesmo que porventura rodem vazios, em qualquer momento.
Atualmente rodam 93 ônibus na cidade.

Olha, as coisas não estão sendo feitas às escondidas.

Todo o processo foi acompanhado pela Procuradoria do Município, Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público e o Tribunal de Justiça.

Foram realizadas três audiências para a conclusão do acordo, presididas pelo TJ.

Houve, portanto, transparência.

Mas faltou debater com quem mais interessa: com os usuários e os vereadores.

Felizmente, raramente necessito usar o transporte coletivo.
Mas a maioria das pessoas usa.

Esse projeto deveria ter sido debatido com mais intensidade, independente do calendário eleitoral.

Conversei com alguns vereadores.
As chances dele ir ao arquivo são grandes.

Quando uma administração tenta atropelar processos, correr para aportar quase três milhões de reais num setor tão polêmico, as luzes do alerta sempre ficam acessas.

A situação fica pior quando o gestor ou a gestora carece de base, de liderança e de expectativa de poder.

Nesse momento o que há é muita gente querendo agradar e pegar carona na administração que virar no ano novo.

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Valeu, forte abraço.

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