TV Espinhosa – O silêncio de políticos acreanos diante de ataques à democracia é cúmplice e covarde

Num dos momentos mais cruciais para garantir a nossa democracia, do Acre ecoa o silêncio da omissão da classe política.

Eleita democraticamente, a maioria dos parlamentares federais se omite.

Age como se fosse conivente com os tanques fumegantes nas ruas.

Democracia é coisa séria.

É sagrada.

Mexe com as nossas vidas.

Não podemos tolerar arroubos totalitários passivamente.

É hora de ficarmos atentos, vigilantes e cobrarmos posição de quem foi eleito democraticamente.

Dizer isso seria chover no molhado, se o molhado da nossa história não fosse sangue.

A TV Espinhosa está no ar.

A História se repete.

A primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

O episódio de hoje se encaixa perfeitamente para descrever a exibição de veículos blindados e tanques militares nas ruas de Brasília.

Foi uma forma clara de tentar pressionar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

A Câmara deverá enterrar hoje a patética história do voto impresso.

O STF resolveu reagir.

A mesma Câmara tem o dever cívico de abrir um processo de impeachment contra o senhor Jair Bolsonaro, que comete crime todos os dias.

Eu não era nascido, vim ao mundo um ano depois. Mas li muito.

Em 1964, veio uma tragédia com o golpe militar de 1º de abril, o dia da mentira que durou 21 anos.

Ocorre que há 57 anos havia uma conspiração dos EUA para instalar ditaduras anticomunistas na América Latina.

A maior parte da sociedade civil, imprensa incluída, apoiou o golpe. A correlação de forças impediu uma reação da oposição.

Agora, a história é diferente.

É inegável que há uma farsa em curso: a ideia de que Bolsonaro teria apoio para dar um golpe no Brasil.

Está claro que ele não tem força para jogar fora das quatro linhas da Constituição, como ele blefa.

Bolsonaro não conta com apoio internacional, muito menos americano.

Ele é órfão de suporte da sociedade civil como um todo, inclusive de muitos que lhe emprestam apoio.

Bolsonaro é um homem que defende a ditadura e homenageia torturador.

O silêncio dos políticos acreanos é covarde.

Cadê um posicionamento de um governador Gladson Cameli contra os arroubos ditatoriais?

Onde está o MDB do grande Ulysses Guimarães?

Não há como calar, fechar os olhos e os ouvidos diante do que estamos vivenciando.

As instituições e a sociedade civil, inclusive a imprensa, não podem aceitar a intimidação.

Faço aqui um registro: os deputados Leo de Brito e Perpétua Almeida não se omitiram.

Esses, sim, são democratas e defendem a lutam pela democracia.

Por fim, vou ler um trecho de um poema do brasileiro Eduardo José da Costa, que é propagando como se fosse do poeta russo Vladimir Maiakóvski:

“Na primeira noite, eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim,

E não dizemos nada.

Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.

Até hoje eu não sabia que o poema é de um brasileiro”.

Acho que você também.

A vida é eterno aprendizado.

Vida que segue.

Tchau, forte abraço, com o cheiro do Rosas.

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