TV Espinhosa: Não há herói político na chegada da vacina no Acre

Olá!

Vamos espinhar?

Eram seis horas e trinta minutos quando o avião da Força Aérea Brasileira pousou no aeroporto Plácido de Castro.

A aeronave trazia muito mais do que cerca de quarenta e uma mil doses da vacina Coronavac, a chinesa.

O avião trouxe a esperança de imunizar a população contra um vírus que assusta e mata.

A vacina chegou com festa.
Soltaram até fogos.

Na pista, o governador do Acre e parte do seu séquito se comportavam como crianças em volta de uma mesa de guloseima.

Após o desembarque, Gladson Cameli se enrolou na bandeira do Acre e saiu saltitante atrás do pequeno caminhão baú que transportou o imunizante.

Tanta euforia é natural.
Só que não podemos deixar de confrontar com a realidade, com a verdade.

A primeira grande verdade é que o governador está longe de ser o herói que estão querendo pintar.

Ao contrário da versão que estão querendo passar à sociedade, ele não contribuiu em nada para a vacina chegar ao Acre.

Ela viria de qualquer jeito e nem precisava ele ter ido a São Paulo.

O governador até terá a oportunidade os aplicar em outras áreas os mais de cem milhões de reais que disse ter para comprar as vacinas.

A vacinação, quando tiver vacina suficiente, será coordenada pelo Ministério da Saúde.

Defendo que o mérito deve ser dado a quem faz jus à honraria.

Não votei, até porque não sou eleitor paulista, e jamais voltarei num sujeito como o governador de São Paulo, João Dória.

Mas não há como negar que dificilmente o Brasil teria vacina, ainda que pouca, sem não fosse a persistência e a visão do governador paulista.

Foi ele quem apostou na ciência e nos cientistas, que foi buscar alternativas enquanto o governo federal se manteve inerte.

Portanto, se algum governador merece o elogio, esse governador é João Dória.

Gladson Cameli apenas pegou carona no trabalho alheio.

A vacina não tem a sua digital, muito pelo contrário.

O governador do Acre é apoiador incondicional do presidente da República, um homem que trabalha a favor do vírus desde o início da pandemia.

E não se viu, e nem será visto, qualquer critica do governador ao presidente.

A outra verdade é sobre o quantitativo de vacinas que chegaram ao Acre.

O discurso oficial não fala, mas é insuficiente para vacinar até mesmo as pessoas dos grupos prioritários.

Das quarenta mil, setecentos e sessenta doses disponibilizadas para o Acre, vinte seis mil, novecentos e vinte serão destinadas aos índios.

Serão vacinados doze mil, oitocentos e quinze indígenas.

Ficarão apenas treze mil, oitocentos e quarenta doses para os vinte e dois municípios.

E esse quantitativo, pelo o que está no quadro de distribuição, destina-se a vacinar seis mil, trezentos e quarenta e três trabalhadores da Saúde.

Vamos trabalhar com a verdade, com a informação correta, governador!

Para se ter uma ideia, Rio Branco, a capital do Estado, terá direito a pouco mais de três mil e quinhentas doses.

Não esqueçamos que ainda há uma perda de cinco por cento dessa vacina.

Os números não mentem.

Apesar da euforia e do discurso ufanista, ainda teremos um longo caminho pela frente tanto em nível estadual quanto em nível nacional.

Para se ter uma ideia da caminhada, o governo federal pretendia, na primeira a primeira fase da vacinação, imunizar nove milhões e seiscentos mil brasileiros, entre profissionais da saúde, idosos e índios.

Considerando-se que são necessárias duas doses e que há uma perda de cinco por cento das vacinas, as seis milhões de doses da CoronaVac vacinarão apenas dois milhões e oitocentos mil brasileiros, o que equivale a vinte nove por cento do público-alvo no primeiro estágio do processo.

Isso significa que o Brasil, no Acre não é diferente, não realiza um processo real de imunização, mas uma encenação política.

Isso mesmo, o que vemos é uma encenação política.

Para chegarmos à vacinação ideal, algo em torno de setenta por cento, iremos ter que caminhar muito e torcer para que não haja um desastre ainda maior na condução da politica nacional e local.

Infelizmente, o Brasil começou uma campanha nacional de vacinação sem o componente mais importante: a vacina.

Sem contar que o problema da falta de seringa e agulha ainda perdura.

E nada é tão ruim que não possa piorar.

Está em falta o chamado Ingrediente Farmacêutico Ativo, o IFA.
Esse IFA é de origem chinesa.

É fundamental para que o Butantan e a Fiocruz possam fabricar as únicas vacinas que estão ao alcance do Brasil: a CoronaVac e a de Oxford-AstraZeneca.

Percebeu ai que tudo vem da China?

O problema é que, hostilizada por Jair Bolsonaro e seu séquito, a China retarda o envio dos insumos.

Se a resistência de Pequim não for dissolvida até o final de janeiro, a realidade logo transformará a esperança das vacinas aprovadas pela Anvisa na frustração da escassez de doses.

E o risco de isso acontecer é gigante, do tamanho da população da China.

Como não embarco em discursos politiqueiros e acompanho o que acontece em nível mundial, não vou soltar fogos por ai.

As primeiras doses são gotas de esperança, mas ainda são insuficientes para garantir a tranquilidade sonhada.

O melhor remédio permanece sendo a prevenção longe de aglomerações, bem como uso de máscara e álcool em gel.

Como encontrou na Covid-19 a sua maior aliada, Gladson Cameli festeja. Está sendo vendido como um herói, o que não é.

Repito que ele não teve a ínfima participação para que as primeira doses chegassem ao Acre.

Na verdade, para que as suas fragilidade não sejam expostas, quanto mais tempo perdurar a pandemia, melhor será para ele.

Finalizo falando sobre o negacionismo.

No mesmo horário em que as vacinas chegavam, eu terminava a minha corrida no Parque do Tucumã.

Três pessoas humildes passavam conversando sobre o tomar ou não tomar a vacina.

Eram empregados domésticos do chique condomínio existente nas proximidades.

Gaiato, entrei na conversa.

A mais radical contra a vacinação era evangélica.

Em pleno século vinte e um ainda temos que conviver com gente que renega a ciência.

E os chamados defensores da vida são os que mais incentivam os seus seguidores a apostarem na fé e na sorte, brincando com a morte.

Vida que segue.

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Tchau!

Forte abraço e até a próxima.

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