Suposta economia com compra de camionetes fora do Acre não paga nem a despesa com avião de Gladson Cameli

Leonildo Rosas

Há desculpas que, de tão esfarrapadas, não resistem aos primeiros sopros de argumentos convincentes.

Uma dessas lorotas é a de que o governo do Estado conseguiu economizar R$ 4 milhões, comprando 120 camionetes direto na fábrica.

Tudo é bazófia, pura bazófia.

Essa economia não tem justificativa do ponto de vista econômico e muito menos no social.

Boa parte desse dinheiro retornaria aos cofres estaduais por meio dos impostos, que seriam cobrados no montante de uma transação de R$ 15 milhões.

Isso qualquer leigo em economia e finanças públicas sabe fazer a conta.

Mas a questão não é apenas financeira.

O dinheiro despendido para adquirir os veículos fora do Acre entrará em circulação em um estado rico como São Paulo, deixando de gerar importantes postos de trabalho aqui no Estado, onde empresários têm procurando alternativas para não cerrarem as suas portas.

O que pesou na decisão de comprar as camionetes longe das concessionárias instaladas no Acre pode ter sido outra coisa, mas não foi economicidade de forma alguma.

Um desses motivos é que o governo Gladson Cameli tem se mostrado quase que apavorado com a possibilidade de seguir os ritos normais de um processo de licitação.

As caronas em pregões de outras unidades da Federação tem sido a prática nos últimos sete meses.

As empresas locais têm que se contentar com as migalhas ofertadas em forma de cala-boca.

Em pleno verão, a indústria da construção civil está praticamente parada porque as poucas obras que existem foram entregues à empresas como uma tal de Murano Construções, que já conquistou milhões de reais em procedimentos nem sempre transparentes.

O pior é que as vozes que deveriam se levantar estão mudas.

Os órgãos de controle parecem vendados e amordaçados. Sem ação, embora não faltem motivos para agir.

Um dos poucos que bradam nem de partido de oposição é. O deputado Roberto Duarte (MDB) tem sido a voz a se posicionar claramente contra os desmandos do governo Cameli.

Duarte se posicionou duramente contra a aquisição das camionetes. Também foi firme contra o aluguel de um jato pelo governador, ao preço de R$ 18 mil a hora de voo.

Falando nisso, os tais R$ 4 milhões de economia com os veículos não cobrem nem as despesas com o fretamento do avião para Gladson Cameli, que pode superar os R$ 5 milhões por ano.

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