Sem os bilhões prometidos, construção civil do Acre se contenta com as pequenas obras

Valor a ser investido equivale a 1% dos R$ 2 milhões prometidos pelo governador do Estado

Março de 2019, dois meses após a posse. No auditório da Federação da Agricultura do Acre, o governador Gladson Cameli anunciou que o seu governo iria investir quase R$ 1 bilhão em obras.

Dentre as obras, estava a construção de 1.240 unidades habitacionais. Era obra demais anunciada em tão pouco tempo de administração.

O evento foi realizado na Federação da Agricultura porque o governador estava de birra com o presidente da Federação das Indústrias (Fieac), José Adriano.

“Esse é o Acre do futuro que tanto falamos e este é apenas o início da nossa gestão. Não tenho medido esforços, junto com a minha equipe, para batalhar atrás dos recursos necessários para que possamos desenvolver o nosso Estado. Somente com este anúncio, vamos movimentar o setor da construção civil e garantir a geração de emprego para muitas pessoas”, declarou o governador à época.

Em novembro do ano passado, o valor dobrou.

Segundo matéria produzida pela Agência de Notícias do governo, o governo dispunha de R$ 2 bilhões para executar obras.

“De acordo com Gladson Cameli, o Estado dispõe de R$ 2 bilhões em recursos para serem aplicados a partir do próximo ano. Com este montante, será possível modernizar a mobilidade urbana da capital com a construção dos primeiros grandes viadutos, assim como o anel viário de Brasileia e Epitaciolândia, restauração de todas as rodovias estaduais e das pistas dos aeródromos dos municípios isolados, iniciar o futuro Centro Político-Administrativo do governo, entre outras obras estruturantes”, escreveu o repórter da Agência Wesley Moraes.

Passados dois anos e meio de governo, porém, a realidade é outra.

O que se viu foi a indústria da construção civil praticamente estagnada. As poucas obras realizadas pelo governo foram destinadas à empresas de outros estados, principalmente o Amazonas, ou a parentes do governador, sempre sem licitação.

Como não vieram os milhões, a solução foi se contentar com os tostões.

Em campanha aberta à reeleição, Cameli tratou se aproximar de antigos desafetos e de renovar as promessas não cumpridas.

Um desses antigos desafetos procurados foi o presidente da Fieac, José Adriano.

Dessa aproximação resultou o projeto de lei que criou o Programa de Estímulo à Construção Civil para Geração de Emprego e Renda, publicado no Diário Oficial de hoje.

Elaborado pela Fieac, o programa contou com a chancela da Procuradoria-Geral do Estado e prevê investimento na ordem de R$ 20 milhões. O recurso será empregado para obras de até R$ 400 mil, priorizando as empresas acreanas estabelecidas nos municípios onde acontecerão os serviços.

A ideia é boa, mas não há como vedar a livre concorrência de outras empresas interessadas.

R$ 20 milhões é apenas 1% dos R$ 2 milhões em obras prometidas pelo governador.

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