‘Reduflação’: marcas reduzem embalagens para driblar alta de preços, e queixas viralizam na internet

Caixa de fósforos perde unidades, pacotes de biscoitos diminuem e sabão fica mais leve. Inflação acumula alta de 12% em 12 meses

Por Camilla Alcântara e Taís Codeco*

RIO — Menos pelo mesmo preço. A velha tática da indústria de reduzir embalagens para fazer o preço dos produtos caber no bolso dos consumidores se multiplicou em meio à recente disparada da inflação. O IPCA, índice usado nas metas de inflação do governo, subiu 1,06% em abril e já acumula alta de 12,13% em 12 meses.

São menos fósforos na caixa, biscoitos que encolheram e frascos mais leves do lava roupas. A estratégia, que já ganhou o apelido de “reduflação” virou alvo dos internautas, e as queixas viralizaram na internet.

A prática também é acompanhada pelo governo que, para evitar a maquiagem de preços, endureceu as regras e passou a exigir dos fabricantes informações mais claras, e por mais tempo, sobre mudanças nas embalagens.

Só uma publicação recente no Twitter sobre o “sumiço” de 40 fósforos da caixa da marca Fiat Lux, que agora tem só 200 unidades, recebeu mais de 52 mil curtidas.

Nos supermercados, os exemplos de redução de tamanho se multiplicam. O Goiabinha, biscoito clássico da Piraquê, teve sua embalagem reduzida de 100g para 75g. O Wafer de Chocolate “encolheu” de 160g para 100g.

Aviso na embalagem por seis meses

Na concorrente Nestlé, a estratégia foi a mesma. Os biscoitos das marcas Bono e Nesfit ficaram menores 10% e 20%, respectivamente. O achocolatado Nescau, da mesma fabricante, diminuiu em 7,5%.

Na seção de molhos e condimentos, novos cortes. O molho de tomate refogado Salsaretti teve redução de 40g, ou 12%. Nas gôndolas de produtos de limpeza, o lava roupas líquido Brilhante e o sabão glicerinado Ypê perderam 10% de volume cada (100ml e 20g, respectivamente).

A prática não é ilegal. A maquiagem de preços só fica caracterizada caso os fabricantes não sigam as regras de informar claramente sobre as mudanças.

Portaria baixada no ano passado pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, endureceu as regras para evitar que o consumidor seja induzido a erro.

O documento determina que a informação de redução de volume deve constar no rótulo do produto por seis meses a partir da data de alteração, escrito em caixa alta, negrito e seguindo outros critérios de legibilidade para que o cliente possa ser informado da mudança.

Até então, a exigência era de que as informações constassem na embalagem por três meses.

“O consumidor, geralmente fiel a determinada marca, não percebia a diminuição da quantidade”, explica a Senacom, em nota. “O lapso temporal aumentou para seis meses pois entende-se que os três meses anteriores não eram suficientes”.

Veja a matéria completa no O Globo.

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