Por que ter planos regionais de vacinação é uma má ideia para o Brasil

Carlos Madeiro

Colaboração para VivaBem, em Maceió

A ausência de um plano nacional de imunização contra a covid-19 levou a uma corrida paralela de estados e municípios, que já planejam ações alternativas para vacinar suas populações.

Deixando de fora o debate político, uma análise do ponto de vista técnico mostra que a descentralização é uma má ideia, que pode trazer problemas dos pontos de vista epidemiológico, logístico e até de desigualdades sanitárias entre locais ricos e pobres.

Se adotar um modelo de imunização descentralizado para a covid-19, o Brasil o fará pela primeira vez desde 1973, quando foi criado o PNI (Programa Nacional de Imunizações). Graças a ele, o país tem um calendário de vacinação gratuito e que se tornou modelo internacional, erradicando doenças como a varíola e a poliomielite.

“Qualquer ruptura nesse sistema será muito ruim”, avalia Renato Kfouri, ex-presidente e atual diretor da SBIM (Sociedade Brasileira de Imunizações). “Se um estado faz de um jeito; se usa uma vacina diferente de outro; se tem calendário diferenciado; isso cria enormes dificuldades em todos os sentidos”, completa.

O primeiro ponto ressaltado por ele é que a universalidade estará em risco. “Se isso ocorrer, quantas pessoas vão viajar para locais que têm vacina? Se você disponibiliza para quem mora em um local, ou para quem tem condições de viajar, já cria uma desigualdade tremenda”, diz.

Hoje, no PNI, apenas a operacionalização da armazenagem e da aplicação das doses competem a estados e municípios. “A definição de grupos etários, compra de vacinas, distribuição, definição de calendário, quem toma, quantas doses: isso sempre foi decidido pelo PNI.

Nós vacinamos quase 80 milhões de pessoas todo ano contra gripe em três meses, temos um sistema eficiente”, lembra Kfouri.

Por se tratar de uma pandemia, e pela escassez de imunizantes que deve ocorrer no mercado mundial, é provável que o Brasil compre não apenas um, mas mais tipos de vacina. Por si só, diz Kfouri, isso será um problema que precisará ser contornado com soluções ainda indefinidas —e se tornará ainda mais grave se não houver uma ação coordenada no país.

“A gente quer um número grande de vacinas, o maior possível; mas pulverizar isso em laboratórios diferentes cria dificuldades importantes. Uma solução pode ser regionalizar: a região Sul recebe uma vacina, o Norte recebe outra, por exemplo; pode ser também por grupos: profissionais de saúde recebem um tipo de vacina, os idosos outra. A gente pode discutir isso, mas tem de ser nacionalmente”, explica.

Veja a matéria completa aqui.

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