PF afirma que Fagner Sales é ‘verdadeiro dono’ de empresa que desviou mais de R$ 10 milhões

O inquérito da Polícia Federal sobre a investigação de esquemas de fraudes em licitações e enriquecimento ilícito afirma que Fagner Sales seria o ‘verdadeiro dono’ da empresa que desviou mais de R$ 10 milhões dos cofres da prefeitura de Cruzeiro do Sul, a CP Rosas.

A investigação é resultado da Operação Acúleo, deflagrada em setembro deste ano e que cumpriu mandato de busca e apreensão na residência de Fagner e prendeu o seu pai, Vagner Sales.

O relatório, contudo, menciona informações de investigações que ocorrem desde 2017. A expressão ‘verdadeiro dono’ usada para definir a relação entre Fagner e a empresa CP Rosas consta no próprio documento.

A conclusão da PF levou em conta as movimentações financeiras de Fagner entre 2010 a 2017, sendo a maior parte retiradas em espécie e sem identificação de origem.

Segundo apontado no inquérito, Fagner Sales teria recebido mais de meio milhão de reais entre janeiro de 2010 a dezembro de 2017por meio de 128 depósitos sem identificação de origem (R$514.868,00 em números exatos).

O relatório de 77 páginas da PF detalha as movimentações financeiras de 2009 a 2016 entre a empresa CP Rosas, a empresa EFJ SALES & CIA LTDA (Nome fantasia: Piracema do Juruá), na qual são sócios, Vagner e Fagner Sales e as pessoas físicas: Fagner Sales, Mario Neto e Cleilson e Cleilton Pinheiro Rosas, sócios titulares da CP Rosas.

Chamou a atenção dos investigadores que 92% do faturamento da empresa CP Rosas, é proveniente de contratos com a prefeitura de Cruzeiro do Sul, um montante de mais de 18 milhões de reais (R$18.812.893,51).

As movimentações levam a suspeitar de um esquema de corrupção envolvendo licitações fraudulentas na prefeitura de Cruzeiro do Sul que favoreciam a empresa CP Rosas.

Depois, os dinheiro era repartido entre Cleilson Pinheiros Rosas, Fagner Sales e Mario Neto (ex-chefe de gabinete de Vagner Sales). Parte desse dinheiro entrava para a EFJ SALES & CIA LTDA (Piracema do Juruá) na qual são sócios Vagner e Fagner Sales.

Jeep Compass

O relatório também detalha uma operação financeira suspeita na compra de um Jeep Compass pelo ex-assessor de gabinete e ex -membro da Comissão Permanente de Licitação da prefeitura, Mario Neto.

Segundo o inquérito, Mario Neto teria pago um boleto no valor de R$ 93.664,04 referente à compra de um Jeep Compass em nome da empresa EFJ SALES & CIA LTDA (Piracema do Juruá), na qual são sócios, Vagner e Fagner Sales. Segundo o relatório, Mario Neto seria o dono ‘de fato’ do veículo, usando a empresa dos Sales apenas como fachada para não levantar suspeitas sobre si.

O salário declarado de Mario Neto pela prefeitura é de R$3 mil reais, não condizente portanto com compra de um veículo desse valor. O pagamento foi feito à vista.

Todas movimentações financeiras de Mario Neto estão no relatório, e pelos altos valores movimentados, há a suspeita de que ele atuaria como uma espécie de ‘laranja’ ou operador financeiro de Vagner e Fagner Sales.

Mario Neto já foi preso e tem uma condenação por crime eleitoral. Foi o operador financeiro que pagou vereadores do PSDB para desistirem de suas candidaturas em 2016. Dinheiro apreendido pela PF na ocasião estava efetivamente com Mário Neto.

Fagner nunca trabalhou, aponta relatório

O relatório pontua que embora tenha sido publicada a exoneração de Fagner do cargo de chefe de gabinete de seu pai, Vagner, nunca houve a publicação de sua nomeação para o cargo.

Também não há qualquer registro de emprego ou trabalho em qualquer outra atividade, o que reforça as suspeitas de que a movimentação significativa no período, mais de meio milhão de reais, seja proveniente de atos ilícitos envolvendo licitações fraudulentas da prefeitura de Cruzeiro do Sul durante a gestão de seu pai Vagner Sales, em favor da empresa CP Rosas, na qual é apontado com ‘verdadeiro dono’.
Acúleo é o nome botânico para o espinho das rosas, em alusão ao nome da empresa CP Rosas

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