OU GLADSON MANTÉM AS EXONERAÇÕES OU VEM A PÚBLICO ASSUMIR QUE MENTIU E ESTÁ COMPRANDO DEPUTADOS COM CARGOS NO GOVERNO


Por Cesário Campelo Braga

Mais do que uma lambança política, como transmitem os jornalistas, a guerra travada entre o governador Gladson Cameli (PP) e sua base na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) elucida uma prática danosa e, talvez, até criminosa aos cofres públicos, que é fazer do governo um cabide de empregos para parentes e agregados de parlamentares, em troca de votos. Uma clara troca de favores, paga com dinheiro dos contribuintes.

A exoneração dos 340 cargos em comissão, muitos deles parentes dos deputados da base do governo ou correligionários de partido desses deputados, ocorreu na mesma semana que os parlamentares estaduais derrubaram os vetos que o governador fez à LDO. Porém a justificativa dada pelo governador, em nota oficial, foi que as exonerações eram “…parte do conjunto de medidas que visam resgatar o equilíbrio fiscal do Estado”.

É de se imaginar que os 340 exonerados não são vitais para o funcionamento do governo, como preceitua as boas práticas administrativas, tendo em vista que foram exonerados de uma só vez pelo governador e, aparentemente, a máquina estatal continuou funcionando. O que coloca em dúvida se realmente eles desempenhavam papéis vitais nos referidos locais de trabalho ou eram apenas apadrinhados políticos, sem função determinada, recebendo salário.

Contudo, a medida adotada hoje pelo vice-governador Major Rocha (PSDB), que já tornou sem efeito algumas das 340 exonerações, somada a declaração do líder do governo, deputado Estadual Gerlen Diniz (PP), de que o trabalho é para renomear os exonerados e assim “organizar” a base, põe por terra o discurso mentiroso de que era contingenciamento de gastos e não retaliação à base. Deixa ainda mais claro a prática de que o governo utiliza recurso público em troca de apoio.

Com certeza, essa história ainda vai render muitos capítulos e esperamos que as autoridades competentes, como o Ministério Público Estadual, tomem medidas para que tudo fique muito claro. Não precisamos apenas de equilíbrio entre os poderes, mas de transparência com a população, que é quem paga essa conta.

Contudo, uma coisa é certa, caso o Estado torne sem efeito as exonerações, como já sinalizou que fará, o governo assumirá de forma pública que mentiu em sua nota oficial e que está comprando apoio político com dinheiro público, por meio de cargos em comissão para parentes e agregados dos deputados.

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto:
Close Bitnami banner
Bitnami