OPINIÃO Síndrome de Estocolmo: mesmo maltratados, empresários do Acre não reagem ao governador

Há uma espécie de Síndrome de Estocolmo na relação entre o empresariado acreano e o governador Gladson Cameli.

Fortaleci essa impressão após assistir a entrevista do presidente da Federação das Indústria do Acre (Fieac), José Adriano, ao jornalistas Astério Moreira e Marcos Vinícios, no AC24horas.

Antes vou explicar o que é Síndrome de Estocolmo.

Essa síndrome ocorre quando a vítima de agressão, sequestro ou abuso desenvolve uma ligação sentimental ou empatia por seu aproveitador.

A sua origem vem da Suécia, quando, em 1973, as vítimas de uma sequestro desenvolveram uma resposta afetiva por seus sequestradores.

Nenhum governador sequestrou tanto as esperanças do setor empresarial, nos últimos 25 anos, do que Gladson Cameli.

Mesmo assim, o que vemos é um setor produtivo sem capacidade de reagir, de criar uma grande frente de mobilização para que o governo volte a ser um indutor de desenvolvimento.

Sob o comando de Cameli, a miséria e o desemprego no Acre só aumentaram. As empresas quebraram. O próprio Adriano admitiu que mais de 40% dos pequenos e médios empreendimentos fecharam as saus portas.

Na entrevista, José Adriano declarou, ao falar sobre a situação da indústria local: “Tiraram a intubação, mas continuamos na UTI”.
Como tiraram da intubação, se a inércia governamental permanece?
Durante longos dois anos e meio, o governador fez a opção de se manter distante da Fieac. Tudo por birra, pois viu o seu candidato à direção da entidade ser derrotado no voto e na Justiça.

Com a eleição batendo à porta, iniciou o processo de aproximação anunciando investimento de R$ 20 milhões para pequenas obras.
Ora, esse valor pode ser importante, mas é irrisório diante das necessidades do Acre e dos recursos disponíveis nos cofres estaduais.
José Adriano fez críticas pouco contundentes acerca da opção do governo Cameli de praticamente não realizar licitação, preferindo pegar caronas por meio de atas oriundas de outros estados.

“Pode não ser ilegal, mas é imoral, a empresa vem com o outra realidade que não é possível comparar. A melhor forma é a licitação tradicional com o máximo de transparência”.

Realmente, a imoralidade fez morada na administração estadual. Os casos de corrupção são latentes, a ponto de o próprio vice-governador Wherles Rocha ter feito reiteradas e comprovadas denúncias de malversação do erário.

Está claro que o governo não quer a melhor a forma e muito menos agir com o máximo de transparência, presidente! Isso está cristalino.

A entrevista foi longa e aborda vários temas, mas a essência é que parece que a classe empresarial acreana considera normal os recursos que poderiam ser investidos no Estado, gerando emprego e renda, migrarem para outros estados mais ricos.

Falta contundência.

O que vemos é um estado estagnado, mesmo diante do último verão para se trabalhar obras.

Gladson Cameli teve uma reunião, recentemente, com os presidentes das federações da Indústria, do Comércio e da Agricultura. Também estava presente o presidente da Associação Comercial.

Não se sabe o que prometeu, mas tem encantado essa turma sabe-se lá com o quê.

O pior é que as pesquisas também demonstram que boa parte da população parece ter vítima da Síndrome de Estocolmo. Tem muita gente com ligação sentimental ou empatia por seu aproveitador.

Gladson Cameli tem se notabilizado por não cumprir o que diz.

O presidente da Fieac, um homem experiente, parece que continua acreditando na palavra governamental.
Veja o que disse: “O que o governo precisa entender que é preciso gerar postos de trabalho e a gente sabe que essas grandes empresas trazem quase tudo montado e que absorvem pouca mão de obra. Falamos com o governador e ele se comprometeu em respeitar e avaliar melhor essa hora de fazer esse investimento. Vamos avançar em outros setores”.
O primeiro mandato de Cameli acabou.
Agora, ele apressa-se em renovar as promessas para conseguir mais quatro anos. É impossível, em um governo desorganizado e sem rumo, essa melhor hora para fazer investimentos chegar.

Apesar das evidências, as vítima continuam demonstrando uma ligação sentimental e empatia por seu aproveitador.
Vida que segue.

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