Opinião: Em tempo de pandemia, estar vivo é motivo de celebração, cuidado e solidariedade

Há pouco tempo eu li um texto do escritor israelense Yuval Noah Harari sobre como enfrentar a pandemia da Covid-19.

Ele é autor dos livros Sapien – uma breve história da humanidade, Homo Deus e 21 lições para o século 21. Tive o prazer de ler a todos.

Intitulado “Na batalha contra o coronavírus, faltam líderes à humanidade”, o texto faz uma abordagem histórica sobre outras situações envolvendo a saúde pública mundial e destaca a importância da cooperação entre nações para vencer o vírus.

“O verdadeiro antídoto para epidemias não é a segregação, mas a cooperação”, ensina.

Harari lembra que no século XIV não havia aviões nem cruzeiros, mas a peste negra disseminou-se da Ásia Oriental a Europa em pouco mais de uma década. Matou entre 75 milhões e 200 milhões de pessoas, o equivalente a um quarto da população na Eurásia.

“Na Inglaterra, quatro em cada dez pessoas morreram. A cidade de Florença perdeu 50 mil de seus 100 mil habitantes”.

Já em 1520, um único hospedeiro da varíola, chamado Francisco de Eguía, desembarcou no México. Em dezembro daquele ano houve um epidemia, matando quase um terço da população da América Central.

Em 1918, relembra o escritor, uma cepa de gripe particularmente virulenta conseguiu se propagar pelos cantos mais remotos do planeta. Meio bilhão de pessoas foram infectadas, o equivalente a um quarto da espécie humana naquela época.

A chamada Gripe Espanhola matou cerca de 100 milhões de pessoas em menos de um ano. “Foi mais do que se matou em quatro anos de batalhas brutais na Primeira Guerra Mundial”.

Hoje, embora estejamos mais sujeitos à epidemias, graças à uma combinação de crescimento populacional e maior eficácia nos transportes, elas matam um menor número de pessoas do que em qualquer época da humanidade por motivo simples: a informação.

“A melhor defesa que os humanos têm contra os patógenos não é o isolamento, mas a informação”.

Graças à facilidade de ser informar e de estudar, os cientista levaram apenas duas semanas para identificar o novo coronavírus, sequenciar o seu genoma e desenvolver um teste confiável para detectar pessoas infectadas.

Mas, embora a informação seja fundamental, há quem propague notícias mentirosas e desacreditem a vacinação em massa.

Vacina é fundamental para garantir a imunização.

Vejamos um casos especifico. Em 1967, a varíola infectou 15 milhões de pessoas e matou 2 milhões.

Na década de 1970, houve uma campanha global de vacinação. Em 1979, a Organização Mundial de Saúde declarou que a humanidade havia vencido e que a varíola fora completamente erradicada. Em 2019 não foi registrado um único caso da doença.

Houve avanço, mas mundo ainda vive assustado com o coronavírus. O que mais assusta, porém, é a falta de confiança entre os seres humanos.

Segundo Harari, para superar uma pandemia as pessoas precisam confiar nos poderes públicos e nos especialistas. Os países precisam confiam uns nos outros.

Quando Yuval Harari escreveu o texto, Donald Trump ainda era presidente dos Estados Unidos.

Como se estivesse falando do Brasil, ele destacou que, nos últimos anos, políticos irresponsáveis solaparam deliberadamente a confiança na ciência, nas instituições e na cooperação internacional.

“Como resultado, enfrentamos a crise atual sem líderes que possam inspirar, organizar e financiar uma respostas global coordenada”.

Os americanos, por meio do voto, resolveram o seu problema elegendo Joe Biden.

No Brasil, temos um presidente que insiste em jogar a favor do vírus, que nega a ciência e desacredita as vacinas. O resultado sãos mais de 530 mil mortos pela Covid-19.

Atualmente, em vez de unir, a pandemia tem desunido e aumentado a desconfiança entre os brasileiros, que tem possibilitado, até agora, a vitória do vírus.

Falta um líder um à nação.

Falta responsabilidade com as vidas e com a informação correta.

Vivemos um tempo escuro na nossa história, que só poderá ser clareado com mais democracia e verdade.

Sempre que algum amigo pergunta como estou, a minha resposta : “Estou vivo”.

Estar vivo é privilégio, motivo para celebração, ampliação os cuidados e exercitar como nunca a solidariedade. Você não acha?

Finalizo com uma observação de Harari: “Se essa epidemia resultar em maior desunião e maior desconfiança entre os seres humanos, o vírus terá ai sua grande vitória. Quando os humanos batem boca, os vírus se multiplicam”.

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