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    O Governo Lula e o cuidado com os brasileiros

    O Brasil tem repatriado brasileiros na zona de conflito em Gaza a custo zero. Estados Unidos, Reino Unido e Japão cobram pelo ‘serviço’.

    Por Francisco O. D. Veloso*

    O Governo Lula, do PT, já repatriou mais de 1.135 pessoas e mais de 24 animais de estimação (ou pets, como quiser). Já foram diversos voos, todos gratuitos. Trouxe brasileiros e deve agora incluir também argentinos. 

    Nos últimos anos, tem-se apregoado o estado mínimo, onde as pessoas parecem acreditar que a concorrência é livre e que isso irá melhorar a vida de todos. 

    A ideia de ‘estado mínimo’ também pode ser traduzida como: cada um por si. Quem for rico, ficará mais rico. Quem for pobre, vai ficar mais podre ajudando o rico. Em crise, o pobre ficará sem saída, porque não terá dinheiro para fugir de uma guerra, por exemplo.  

    Eis que na guerra instaurada em território Palestino, ocupado por Israel, conseguimos perceber com clareza o que faz o ‘estado mínimo’. 

    De acordo com o jornal Washington Post, mais de 7.000 cidadãos americanos já saíram da zona de conflito. A maioria em voos comerciais operados pelas poucas companhias aéreas ainda em serviço no aeroporto Bun Gurion, em Isral.

    Os Estados Unidos forneceram, aos seus cidadãos, transporte marítimo, mas sem os pets. Os americanos assinaram, antes do embarque no navio, um contrato para reembolsar os cofres públicos pela despesa para levá-los até o Chipre.

    O Reino Unido também cobra para retirar os seus cidadãos de Israel. A viagem custa em torno de 300 (em torno de R$1.830,00 no câmbio de hoje) para uma passagem só de ida. Este é o preço cobrado, em média, por um voo comercial em uma rota como esta, segundo o jornal britânico Telegraph.  

    O Japão providenciou um voo esta semana, de onde partiram sete (sim, 7) cidadãos japoneses. A Coréia do Sul havia, logo antes, providenciado um voo para retirar o seus cidadãos, mas deu carona para diversas outras nacionalidades. Transportou para Seoul, ou seja, direto para casa, 163 sul-coreanos, além de 51 japoneses, seis singapurenses, de acordo com o jornal The Guardian. 

    O cuidado do Governo Lula, petista, com seus cidadãos, é raro. Há lições para serem aprendidas por outros políticos e partidos.

    Digo Governo Lula, do PT porque posso compará-lo com o então recém-inaugurado Governo Temer, aquele que chegou à presidência via golpe institucional em 2016 – e, para isso, jogou o Brasil na lama da violência verbal. O resto desta aventura já conhecemos bem.

    Já tive a experiência de estar nesta posição de fragilidade em que nossa nacionalidade, o passaporte que possuímos, significa muita coisa e pode ser a tábua de salvação. Ou não.

    Em 15 de julho de 2016 pousei por volta de 20h no aeroporto Atartük, em Istambul, para rápida conexão. Logo em seguida deu-se início uma tentativa militar de golpe contra o Presidente Recep Erdogan. Fiquei preso por quase 48 horas dentro do aeroporto, na área de embarque.

    No dia 16/7/2016 pela manhã começava a longa espera para chegar em casa. Éramos ‘restos humanos’ diante de uma situação de terror.

    Inicialmente, nós, passageiros, pensávamos estar seguros na área VIP da Turkish Airlines. Quando homens entraram com metralhadores no saguão do aeroporto, isso levou a um pânico geral que produziu o caos, vidros quebrando, pessoas gritando. 

    Contei com amigos que solicitaram foto do meu passaporte e começaram a contactar a representação brasileira em Istambul. Inutilmente. 

    O então Ministro da Cultura também estava em Istambul na ocasião e soube, dias depois que estava bem protegido na representação brasileira. 

    O primeiro e-mail fora enviado, por um amigo, ao Consulado Brasileiro em 16/07/2016. Recebi, no dia 21/07/2016, uma resposta. Dizia que: 

    “ (…) o Consulado-Geral esteve sobrecarregado com ligações telefônicas para o celular de emergência, bem como durante um bom período impossilitado de realizar deslocamentos em função do toque de recolher imposto pelos golpistas.”

    Em minha resposta, esclareci que em nenhum momento ficamos sem wi-fi. Passei a noite no celular, trocando notícias, como a maioria das pessoas. 

    Esclareci, também, que não havia impossibilidade de deslocamento. Em torno de 8h da manhã do dia 16, quando finalmente decidi sair do meu ‘bunker’ na sala VIP e andar pela área de embarque, procurando comida, encontrei com um funcionário da representação da Austrália, devidamente identificado com colete e crachá, ajudando um grupo de cidadãos. 

    A sensação de abandono por parte do governo Temer foi confirmada. Estava por conta própria. 

    O Governo Lula cuida do Brasil e dos brasileiros de uma maneira que poucos governos no mundo fazem.

    * Francisco O. D. Veloso é professor/pesquisador no Centro de Educação, Letras e Artes (CELA-UFAC). Possui Doutorado em Linguística Aplicada/Inglês pela UFSC. Foi professor na Universidade Politécnica de Hong Kong (Hong Kong SAR), Professor Visitante na Universidade de Modena e Reggio Emília (Modena, Itália) e professor na Universidade de Bologna (Bologna, Itália). IG: fveloso.

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    vale a leitura