O Arquivo do Façanha – No Acre, Banespa-SP vence grupo “D” da Taça Brasil de Futsal de 2005

Por Manoel Façanha

Após grande imbróglio político pela presidência da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS), ocorrido no mês de janeiro de 2005, onde o presidente Aécio de Borba Vasconcelos (in memoriam) manteve o reinado de mais de 25 anos de poder, a cidade de Rio Branco voltou a receber uma edição de fase eliminatória da Taça Brasil de Futsal.

O evento foi realizado no período de 21 a 25 de fevereiro daquele ano, precisamente 20 anos após a realização da mesma competição em solo acreano (como registra a imagem abaixo de uma partida do Banfort/Fortaleza-CE e Madeireira Floresta. Segundo o desportista Auzemir Martins, o atleta chutando a bola é Douglas Pierroti, hoje diretor do Sorocaba Futsal).

Então para registrar essa competição, o “Arquivo do Façanha” resolveu trazer à tona neste final de semana, com textos e imagens, detalhes daquele torneio que sacudiu o futsal acreano nos primeiros anos do século 21.

Seis equipes formaram o Grupo “D”: Bem-te-vi (AC), Igreja Batista do Bosque (AC), Banespa (SP), Cascavel (PR), A. D. TAPAJÓS (RO) e Tuna Luso (AM). Os seis integrantes da chave jogaram entre si durante cinco rodadas e o troféu de campeão ficou com o Banespa-SP, esse ainda levando para casa uma premiação de R$ 10 mil, cachê que foi pago pela CBFS, e vaga para a fase decisiva da competição.

Lembro-me que a história da indicação para o estado voltar a sediar uma competição importante do calendário da CBFS era um esforço da entidadenacional no sentido de perfilar seus filiados durante a disputa eleitoral e o discurso era de integração dascompetições organizadas pela CBFS. Associado aisso tudo ainda pesaria em favor dos acreanos o fato de uma chave de Taça do Brasil não ser realizada por essas bandas há duas décadas.

Numa reunião ocorrida em São Paulo, com a cúpula da CBFS, exceto a presença do vice-presidente Carlos Bittencourt (in memoriam), isso talvez pelo fato deste ser o candidato de oposição, o martelo foi batido nas primeiras semanas de janeiro de 2005, antes do processo eleitoral na CBFS. Digno de registro é o fato de que outras duas federações importantes do país também pleiteavam a organização da chave: São Paulo e Paraná.

CBFS, Fafs, IBB, Governo, Acea e Sesi realizaram a competição

Com recursos minguados para o torneio, a Federação Acreana de Futsal (Fafs), através do então presidente Auzemir Martins, fez o convite para o time da Igreja Batista do Bosque, então vice-campeã estadual de 2004, ser co-patrocinadora do Grupo “D” da fase classificatória da Taça Brasil.

Os dirigentes da equipe evangélica não somente toparam o desafio, como também costuraram apoio do poder público, via Governo do Estado, através do secretário de Esportes, professor José Alício Martins, para trazer a competição para o Acre. O Serviço Social da Industria (Sesi) e a Associação dos Cronistas Esportivos do Acre (Acea), parceiros do evento, não mediram esforços para o sucesso do torneio em solo acreano.

Naquela época, os cronistas esportivos Manoel Façanha e Alberto Casas, presidente e segundo vice-presidente, respectivamente, da Acea, e demais diretores, após convite para ser um dos parceiros para a realização da Taça Brasil de Futsal, encamparam a ideia de corpo e alma para chamar o público àsarquibancadas do Ginásio Rui Lima do Nascimentos (Sesi). Na época, os organizadores, a cada rodada, realizavam sorteio de brindes aos torcedores que adquirissem ingresso ao preço simbólico de R$ 4,00(entrada inteira) para os três jogos.

Dr. Jornandes e Cassimiro: torcedores símbolos de IBB e Bem-te-vi

Também digno de registro é o fato de que nos primeiros anos de 2000, a boa rivalidade entre Bem-te-vi e Igreja Batista do Bosque impulsionou a modalidade de futsal nas quadras acreanas. Um dérbi entre as duas equipes já era suficiente para levar público considerável às arquibancadas de cimento do Ginásio do Sesi ou Álvaro Dantas. Público esse, muitas vezes, superior aos registrados nos jogos de futebol profissional. 

Com bandeiras, cânticos, camisas padronizadas,entre outros adereços, a torcida da Igreja Batista do Bosque tinha como seu “maestro” o Dr. Jornandes. Com bigode inconfundível, ele não largava sua bandeira da IBB e sempre estava disposto a puxar o cântico animador para levantar omoral de sua equipe durante as partidas.

Por outro lado, a torcida do Bem-te-vi fazia como podia para ofuscar o barulho da torcida evangélica. O presidente da equipe da Capoeira, desportista Casemiro Oliveira, ficava sem voz a cada jogo, principalmente naqueles que os nervos ficavam aflor da pele e o coração pulsava quase fora do peito.

Então, neste clima de “rivalidade”, após jogos pra lá de emocionantes, ocorridos em 2004, as equipes do Bem-te-vi e da Igreja Batista do Bosque tinham um novo duelo marcado entre si, agendado, precisamente pela terceira rodada da Taça Brasil de Futsal 2005, quando o time evangélico venceu por 5 a 4. Os dois times ainda realizaram outras quatro partidas contra adversários de São Paulo, Paraná, Rondônia e Amazonas.

Como foi a realização do grupo “D” da Taça Brasil no Acre

Com casa cheia na maioria dos jogos, a fase classificatória da Taça Brasil de Futsal proporcionou 15 partidas para o torcedor acreano. O Banespa-SP ficou com o título após quatro vitórias e um empate na competição, seguido do Cascavel-PR, mesma pontuação, mas saldo de gols inferior.

O Tuna Luso-AM foi o terceiro colocado (7), Igreja Batista do Bosque ficou na quarta colocação (6), enquanto o Tapajós-RO na quinta e penúltima posição, com 4 pontos ganhos. O Bem-te-vi não pontuou na competição e amargou a lanterna.

O torneio registrou 15 jogos, 143 gols, proporcionando média de 9,53 gols por partida. Os artilheiros da competição foram: Giba/Banespa-SP (9), Márcio Roni/Tapajós-RO (8), Dilvo/Banespa-SP (7) e Gledson/Tuna Luso (7).

Entre os jogos mais acirrados da competição e lembrado pelos amantes do futsal, registra-se a vitória apertada do Banespa-SP sobre o Bem-te-vi por 6 a 5, pela segunda rodada, num jogo sensacional de levantar o torcedor presente àsarquibancadas do ginásio do Sesi.

O gol da vitória do time paulista saiu nos minutos finais. O técnico Toca, do Banespa-SP, trocou de goleiro, enviando à quadra Waguinho, especialista com a bola nos pés. O resultado foi uma jogada trabalhada, com César Paulo fazendo o gol da vitória (6 a 5).

Comentários

O artilheiro Paulo César, com quatro gols na competição, resumiu o resultado da conquista pela equipe paulista diante dos acreanos com a seguinte frase: “Não existe mais time bobo. Acabou essa história”. O técnico Toca, do time visitante, elogiou a garra da equipe acreana. “Eles jogaram com uma vontade acima do normal. Um exemplo de amor e dedicação à sua equipe”, disse o técnico, pedindo pé no chão para o seu time.

O ala Andrei, hoje médico no estado de São Paulo e autor a de três gols a favor do Bem-te-vi naquela partida, explicou, à época, que a equipe da Capoeira estava devendo uma boa atuação à sua torcida, lamentando apenas a derrota.

Confira as páginas de Esporte do Jornal O Rio Branco

CBFS elogia organização, imprensa e torcida

Mesmo sem o voto acreano na disputa do processo eleitoral na Confederação Brasileira de Futsal (CBFS), o presidente Aécio de Borba Vasconcelosmarcou presença em Rio Branco para prestigiar a realização do Grupo D da Taça Brasil de Futsal.  O então dirigente da CBFS era só sorriso com o sucesso da competição em solo acreano, elogiando acoordenação, o apoio do poder público, a torcida e ainda o trabalho realizado pela imprensa.

Falecido em março deste ano, aos 89 anos, após uma parada cardiorrespiratória, Aécio de Borba Vasconcelos, além de dirigente esportivo (1979-2014), foi professor, jornalista, advogado, empresário, deputado estadual, vice-prefeito de Fortaleza-CE e deputado constituinte pelo Ceará. Em 2005, ele aproveitou a estada em solo acreano para rever o ex-deputado Narciso Mendes, amigopessoal e também de parlamento.

Imprensa paranaense presente e surpresa com bons jogos

A disputa do Grupo “D” da Taça Brasil de Futsal 2005, trouxe para o Acre dois cronistas esportivos da cidade de Cascavel-PR. Osires Júnior, da Rádio Capital e Jornal O Paraná, e Jonas Sotter, da Rádio Colméia. O primeiro é filho do radialista Osires Nadal, conceituado profissional que acompanha a Seleção Brasileira desde 1970. Veja o que eles falaram, à época, sobre a disputa da Taça Brasil de Futsal, ocorrida em Rio Branco-Acre.

“A disputa do Grupo D da Taça Brasil de Futsal, no Acre, mostrou que o futsal está evoluindo. As equipes do Sul chegaram aqui como favoritas, mas encontraram muitas dificuldades”, disse Osires Júnior.

O sucesso da Taça Brasil de Futsal, no Acre, está no corporativismo que vi entre federação local e imprensa esportiva, isso sem falar sem falar da torcida, que foi um espetáculo”, comentou Jonas Sotter.

IBB também parabeniza a organização e a Acea

Outro satisfeito com a realização de um grupo da Taça Brasil de Futsal – 2005, fase classificatória, foi o presidente da Igreja Batista do Bosque, pastor Agostinho Batista, um dos principais responsáveis pela articulação para trazer a competição para o Acre. “Quero elogiar tanto o trabalho dos colaboradores da Igreja Batista do Bosque, organizadora do evento, a torcida presente, assim como os profissionais de imprensa credenciados naAssociação dos Cronistas Esportivos do Acre (Acea), pela bela parceria que, inclusive, foi reconhecidíssima pela cúpula da CBFS”, disse, à época, o pastor Agostinho.

Em cinco dias de competição, a organizaçãoarrecadou nas bilheterias do Ginásio Rui Lima dos Nascimento (Sesi) a cifra de R$ 11.767,00. Cerca de 30% do lucro das bilheterias foram repassadas para a Associação dos Cronistas Esportivos do Acre (Acea), valores esses destinados às equipes esportivas que trabalharam durante a competição.

Veja mais imagens da Taça Brasil-2005

Veja na lente do fotógrafo Odair Leal, então da equipe do Jornal O Rio Branco, lances das partidasda Taça Brasil-2005. Digno de registro que as imagens acima também foram tiradas pelo fotógrafo Odair Leal, esse, à época, recebendo uma gratificação paga pela editoria de Esportes de O Rio Branco, para a realização desse belíssimo trabalho

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