Mudanças no comando do Iapen são ditadas pelo calendário eleitoral e a necessidade de votos dos parentes de presos

O Diário Oficial de hoje trouxe várias mudanças em postos estratégicos do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen).

Foram realizadas exonerações e nomeações, com destaque para a entrada em campo do delegado Dimas Morais, que assumirá a Diretoria Executiva e Administrativa da autarquia.

Morais irá substituir o coronel aposentado da Polícia Militar Antonio Jauri Rodrigues.

Dentre as decisões tomadas pelo governador Gladson Cameli, uma ainda não foi concretizada: a exoneração do diretor-presidente Lucas Gomes.

Ontem, Gomes usou as suas redes sociais para informar que fora notificado sobre a sua demissão do cargo. Ou seja: ele não pediu para sair, querem sair com ele.

Mas o que realmente está por trás da possível exoneração de Lucas Gomes? Esse é um fato a ser pensar. Certamente não foi porque descumprir ordens superiores.

Policial Penitenciário, Gomes assumiu o comando o Iapen sob a tutela do vice-governador Wherles Rocha, a quem o sistema de Segurança Pública foi entregue de porteira fechada.

A entrega é normal. Afinal, Rocha foi apresentado como um especialista na área.

Até onde é de domínio público,  diretor-presidente seguiu um roteiro pré-estabelecido e pré-determinado pelos seus padrinhos políticos.

Seria ingênuo pensar que um simples servidor público tivesse a coragem de peitar os seus colegas de trabalho, a Vara de Execuções Penais, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Defensoria Pública e até o Ministério Público se não se sentisse com as costas largas.

Enfrentar a instituições é fácil. Elas seguem as leis escritas nos livros. Difícil é peitar outro segmento que tem bastante voto e usa o seu próprio tribunal para resolver os conflitos.

E a a direção do Iapen, personificada em Lucas Gomes, começou a mexer com a turma que atualmente dá as cartas nos bairros e cidades do Acre: as organizações criminosas.

Mexeu tão forte, que diversas vezes as mulheres dos presos fecharam as ruas de Rio Branco porque foram impedidas de fazer as controversas visitas intimas.

O Acre, infelizmente, é líder na triste estatística de ser o Estado com maior número de presos, proporcionalmente, no Brasil. São milhares de jovens que lotam os presídios.

Esses presos têm familiares do lado de fora que irão as urnas nas eleições de outubro.

Manter um diretor que pode continuar mexendo com a sensibilidade eleitoral não convém para quem faz do processo eleitoral um jogo de vida e morte.

Este ano, mais do que nos outros, as organizações criminosas deverão jogar papel importante na definição daqueles que serão eleitos. Essa é a realidade, lamentavelmente.

Não será fácil entrar nos bairros sem a autorização dos “donos do pedaço”. O acesso nas localidades será ainda mais difícil para o candidato apoiado por quem manda na penitenciária.

Quem nomeou Lucas Gomes sabe disso.

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